quinta-feira, 21 de junho de 2007

China ultrapassa EUA como maior emissor mundial de CO2

Por Sabrina Domingos, CarbonoBrasil, com The Guardian.
Fonte: Guardian Unlimited
19/06/2007

A China acaba de ocupar o lugar dos Estados Unidos como maior emissor de dióxido de carbono (CO2) do mundo. O anúncio realizado nesta terça-feira (19) foi recebido com surpresa, já que essa superação da China não era esperada para os próximos anos, apesar de relatórios recentes já terem previsto que isso ocorreria até 2008. Agora, é provável que aumente a pressão mundial para que o novo acordo sobre mudanças climáticas, que deverá substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, inclua a economia chinesa.

Mas, segundo a Agência Ambiental da Holanda, a maior demanda por carvão para geração de eletricidade e uma oscilação na produção de cimento ajudaram a empurrar as emissões registradas da China em 2006 para além das dos EUA. A entidade diz que a China produziu 6.200 milhões de toneladas de CO2 no último ano, em comparação com 5.800 milhões de toneladas dos EUA. Para se ter uma noção, a Grã-Bretanha produziu cerca de 600 milhões de toneladas.

Jos Olivier, um cientista sênior da agência governamental que compilou os dados, diz: “Ainda há uma certa incerteza em relação aos números exatos, mas esta é a melhor e mais atualizada estimativa à disposição. A China aposta pesadamente no carvão e todas as tendências recentes mostram suas emissões aumentando rapidamente”.

As emissões chinesas estavam 2% abaixo das americanas em 2005. Ao se analisar a poluição per capita, as emissões da China se mantêm relativamente baixas – correspondem a ¼ dos EUA e à metade do Reino Unido.

As novas estatísticas apenas incluem as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento. Não incorporam outras fontes de gases do efeito estufa, como metano gerado na agricultura e óxido nitroso de processos industriais. Também excluem outros geradores do CO2, como indústrias de aviação e navegação ou processos de desmatamento.

Oliver diz que foi duro conseguir estimativas atualizadas e confiáveis para estes tipos de emissões, particularmente em países em desenvolvimento. Mas ele afirma que a inclusão dessas fontes pouco mudaria a posição da China. “Visto que a China passou os EUA em 8% (em 2006), será muito difícil compensar isso com outras fontes de emissões”.

Metas

O anúncio chegou no momento em que as negociações internacionais rumam para a criação de um novo acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto em 2012. Um dos motivos pelos quais os EUA se recusaram a ratificar o tratado era a inexistência de metas para países com grande crescimento, como China, Índia e Brasil. Agora, é possível que as discussões internacionais girem em torno de ações obrigatórias também para essas nações, que são grandes emissores de CO2. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, acredita que uma saída seja o desenvolvimento de mercados para captura e comércio de carbono, que possam estar relacionados depois.

No início do mês, o governo chinês anunciou o seu primeiro plano nacional para mudanças climáticas, que levou dois anos para ser preparado por 17 ministros. A idéia é segurar o volume de gases do efeito estufa per capita reduzindo o consumo de energia em 20% até 2010 e aumentando as fontes de energias renováveis em 10%; além de cobrir 20% das terras nacionais com floresta.

No entanto, a China enfatizou que tecnologias e custos são as maiores barreiras para se alcançar a eficiência energética no país; e que será complicado alterar a dependência do carvão em um curto espaço de tempo. Um porta-voz do governo explicou que a China precisa de cooperação internacional para se transformar em uma economia de baixa emissão de carbono. Mas as indústrias chinesas estão hesitantes em utilizar um carvão mais limpo ou apostar em tecnologias de captura de carbono que ainda estão sendo desenvolvidas.

MDL - ONU se defende de acusações

Por Sabrina Domingos, CarbonoBrasil. Fonte: CarbonoBrasil/Reuters
20/06/2007

"Projetos inescrupulosos que reivindicam falsamente cortar as emissões de gases do efeito estufa de acordo com os mecanismos previstos pelo Protocolo de Kyoto, se realmente existirem, são incidentes isolados", afirma o chefe de mudanças climáticas das Nações Unidas, Yvo de Bôer.

De acordo com o protocolo, os países ricos podem alcançar suas metas de redução de emissões de gases do efeito estufa com a compra de créditos de carbono provenientes de projetos dos países em desenvolvimento. As negociações de compensação de carbono chegaram a 5 bilhões de dólares no último ano.

Na semana passada, grupo ambientalista WWF divulgou um estudo em que avaliava os planos de emissões de nove países da União Européia e criticava o esquema de negociações de emissões do continente (EU-ETS). O grupo alega que houve super alocação de permissões na primeira fase do programa, o que reduziu o valor das negociações e consentiu que companhias comprassem o direito de produzir emissões extras a um preço muito baixo.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto (MDL) também foi apontado como uma barreira ao bom desempenho do esquema, pois permite que os países ricos comprem créditos a preços baixos das nações em desenvolvimento.

Além disso, o WWF questionou a validade de alguns projetos de MDL, principalmente em relação à adicionalidade exigida para aprovação na ONU. Segundo eles, a entidade não estaria barrando projetos de ganhar dinheiro de forma ilícita com o novo mercado ao admitir pedidos para atividades de corte de emissões que já estariam previstas mesmo sem os projetos.

Yvo de Bôer, líder da comissão da ONU que administra o esquema, defendeu-se das acusações sobre projetos fraudulentos. “Comportamento inescrupuloso era para ser esperado nos primeiros estágios de um novo mercado”, disse à Reuters.

“Nós estamos em uma área muito nova, então, é lógico que não conseguimos tudo 100% correto da primeira vez”, afirma. “Não é o momento de se reconsiderar projetos que já foram aprovados, ressalta; e acrescenta:”Nós possuímos um processo muito rigoroso para permitir que ONGs reajam a uma proposta de projeto”.

O WWF estava particularmente preocupado com projeto na Guinea Equatorial para a fabricação de metanol a partir do gás natural e que ainda está na dependência de aprovação da ONU, depois de ter recebido o OK britânico. Esse primeiro passo foi necessário porque o comprador dos créditos está sediado na Grã-Bretanha.

“Nossa preocupação-chave é que a construção da usina iniciou em 1998”, afirma Keith Allott, do WWF. “Temos sérias dúvidas sobre por que a Grã-Bretanha aprovou esta proposta”.

O grupo ambientalista defende que o projeto fere um dos princípios básicos do Protocolo de Kyoto - o da adicionalidade; pelo qual os créditos de carbono só podem ser validados se houver comprovação de que os cortes de emissões não ocorreriam na ausência do Protocolo de Kyoto. E o fato da construção ter iniciado há tanto tempo demonstra que o projeto seria lucrativo com ou sem Kyoto, explica Allott.

ONU: eficiência energética recebe US$ 1,1 bilhão para novas tecnologias

Investimentos no segmento vão para Escos, novos projetos e tecnologia. Economia gerada em 16 anos chega a US$ 6 trilhões

por Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, PeD

A área de eficiência energética recebeu de fundos de capital de risco e private equity US$ 1,1 bilhão em investimentos no ano passado para desenvolvimento de novas tecnologias, segundo o estudo Global Trends in Sustenaible Investment 2007 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgado na última quarta-feira, 20 de junho. O documento reconhece a dificuldade de se identificar os investimentos feitos na área já que envolve mudanças sutis nos padrões de consumo e na administração da energia.

Os investimentos em eficiência energética vão, basicamente, para três áreas abrangentes: em tecnologia, empresas (como as Escos) e projetos. Contudo, o estudo ressalta que a eficientização se tornou uma área importante para investimentos por ser, principalmente, a forma mais barata de incrementar a geração. Desde 1990, a eficiência energética foi responsável por 50% de toda a demanda mundial por energia, afirma o estudo, o que significou a economia de 3 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo. A economia significa US$ 6 trilhões a um preço médio de US$ 27 por barril.

O Pnuma afirma que a eficiência significou uma redução de 1% a 1,5% anuais na demanda de energia mudial. O desafio, agora, diz o estudo é intensificar essa média para 2% por ano, o que significará em 2030 uma melhora de 61% no uso da energia. Entre as instituições mutilaterais, o Banco Mundial emprestou US$ 447 milhões para projetos de eficiência, montante maior que os US$ 412 milhões para energias renováveis. Para ler o estudo na integra, em inglês, clique aqui.

Investimentos em energia renovável chegam a US$ 100 bilhões em 2006, diz ONU

Somente para novos projetos foram destinados US$ 71 bilhões. Aquisições e fusões no setor somaram US$ 30 bilhões

por Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios


As preocupações com as mudanças climáticas, aliadas à alta do petróleo, e a necessidade de uma maior segurança energética levaram os investimentos em fontes renováveis alcançarem US$ 100 bilhões no ano passado, segundo o estudo Global Trends in Sustainable Energy Investment 2007 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, divulgado na última quarta-feira, 20 de junho. Os recursos destinados a novos projetos e empreendimentos chegaram a US$ 71 bilhões, enquanto as aquisições, fusões e refinanciamentos no segmento movimentaram cerca de US$ 30 bilhões.

O crescimento em novos investimentos foi de 43% sobre 2005 e de 158% ante 2004. A expectativa é que esses aportes cheguem a US$ 85 bilhões este ano. As fontes renováveis já representam 18% dos investimentos em geração de energia elétrica, com os projetos eólicos liderando com vantagem. Os biocombustíveis e a energia solar crescem mais rápido, mas saem de uma base menor. O estudo concluiu que as fontes renováveis já competem com gás e carvão em termos de novas instalações.

Apesar de os investimentos ainda se concentrarem na Europa e nos Estados Unidos, os países em desenvolvimento, como o Brasil, já respondem por 21% do mercado, sendo a China responsável por 9% do total mundial. A ONU mostra que o mercado de capitais tem sido o principal financiador dos investimentos em energia renovável. As empresas de capital de risco e private equity aumentaram a injeção de recursos para US$ 7,1 bilhões, em 2006, contra US$ 2,7 bilhões no ano anterior.

Já o mercado financeiro injetou US$ 10,3 bilhões, alta de 140% sobre US$ 4,3 bilhões em 2005. Só as ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) do segmento de energia solar captaram US$ 4 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, o segmento de biocombustíveis captou US$ 1,8 bilhão no mercado. Os investimentos em novas plantas de geração chegaram a US$ 27,9 bilhões no ano passado, cerca de 23% a mais que em 2005. Outros US$ 9,3 bilhões foram aplicados em projetos de menor escala como painéis solares e aquecedores de água.

As fusões e aquisições movimentaram US$ 16,9 bilhões, alta de 34% em 2006. As empresas eólicas foram responsáveis por 40% dos negócios. Dos investimentos globais em energia renovável 5% vieram para América Latina, principalmente, nas usinas de álcool no Brasil. Os investimentos na região chegaram a US$ 1,633 bilhão no ano passado. Para ler o estudo completo, em inglês, clique aqui.

Celesc e UFSC inauguram laboratório de eficiência energética

Centro recebeu recursos de R$ 151 mil provenientes do programa Celesc de Eficiência Energética

da Agência CanalEnergia, PeD

O Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceira com a Celesc Distribuidora, inaugurou nesta quinta-feira, dia 21 de junho, o laboratório de eficiência energética. O centro recebeu recursos de R$ 151 mil provenientes do Programa Celesc de Eficiência Energética e vai atuar na área de conservação de energia e uso da energia renovável para geração e substituição de energia elétrica.

O laboratório foi projetado para fazer testes com coletores solares e medição da eficiência energética de aquecedores solares domésticos. A universidade também vai oferecer cursos de graduação e pós-graduação em uso racional de energia, enquanto a Escola Técnica Federal de Santa Catarina terá um curso técnico em energia solar.

Fiscais vêem se há soja transgênica nas indústrias alimentícias do Paraná

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná

Sanitaristas da Secretaria de Saúde e fiscais da Secretaria de Agricultura estão coletando amostras de grãos de soja recebidos pelas indústrias alimentícias do Paraná para identificar a utilização ou não de transgênicos no processamento de produtos para a alimentação humana e animal.

O trabalho conta com o suporte do Lacen (Laboratório Central do Estado), que está encaminhando os resultados positivos para o INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), na Fiocruz, no Rio de Janeiro, informa Álvaro Rychuv, coordenador do GET - Grupo Especial dos Transgênicos do Governo do Estado.

Rychuv destaca que o processo de coleta de amostras segue protocolo do ordenamento jurídico que regulamenta este procedimento de fiscalização, garantindo correção e veracidade nos resultados. “Esta ação é definida como PCR (Pesquisa de OGM* no Alimento), com amostra para análise fiscal”, explica. (*nota do blog: OGM é a sigla para organismos geneticamente modificados)

O GET, coordenado pela Casa Civil, é integrado por representantes das Secretarias de Saúde, Agricultura, Indústria e Comércio, Comunicação e Procuradoria Geral do Estado, Claspar, Tecpar, Lacen, Procon e a Força Verde da Política Militar do Paraná.

Exemplo - A política pública do Governo do Paraná em relação à rotulagem de transgênicos tem servido de exemplo para outros Estados, como o Rio de Janeiro e Piauí, e agora, também para o Ministério Público Federal. A Procuradoria Regional da República convidou o GET para que apresente sua estratégia de ação durante encontro que será realizado em Brasília, nos dias 27 e 28 deste mês.

A experiência paranaense, segundo a procuradora Maria Soares Cordioli, servirá de subsídios para “tomada de decisões e geração de procedimentos tendentes à realização dos objetivos constitucionais e legais afetos à questão de biossegurança de OGM, seus derivados e sua correlação com uso de agrotóxicos”.

Para informar a população, em tempo real, sobre o tema transgênicos, o GET disponibiliza o site www.transgenicos.pr.gov.br

Google quer cortar gases poluentes até 2008

"The Climate Group" anunciou associação do Google nesta terça-feira (19). Empresa planeja zerar ou compensar emissão de gases que causam efeito-estufa.

19/06/2007 - 17h10, da Reuters. Conforme publicado no Portal G1

O grupo de assessoria sobre emissão de poluentes "The Climate Group" anunciou nesta terça-feira (19) que o Google aderiu à organização, e planeja cortar ou compensar todas as suas emissões de gases poluentes que provocam efeito-estufa em 2008.

O Climate Group vai formar uma parceria com o Google, líder entre os serviços de busca na web, a fim de apoiar seus planos de promover a eficiência energética e o uso da energia renovável, anunciou a organização.

As emissões que não puderem ser eliminadas diretamente serão "compensadas" por investimentos em projetos como o desenvolvimento de fontes de energia não poluentes.

"O compromisso do Google de investir na inovação ambiental, combinado ao alcance mundial da empresa, ajudarão significativamente a promover e acelerar as ações internacionais quanto às alterações climáticas", afirmou Steve Howard, presidente do Climate Group, em comunicado.

"Isso é só o começo", disse Eric Schmidt, presidente-executivo e do conselho do grupo, de acordo com o comunicado do Climate Group. "Estamos procurando ativamente por outras oportunidades de ajudar a enfrentar as alterações climáticas."

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Representante de comunidades da Amazônia propõe PAC socioambiental para a floresta

Agência Brasil, por Isabela Vieira

Brasília - Muitas das comunidades que vivem na floresta Amazônica ainda não têm acesso a luz, água e educação. Para mudar esta realidade, uma das propostas do 2º Encontro Nacional dos Povos da Floresta, que será realizado em setembro, é a discussão de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Socioambiental.

De acordo com o secretário geral do Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA) e coordenador do encontro, Adílson Vieira, o PAC Socioambiental não deve ser confundido com o PAC lançado no início do ano pelo governo federal. “Com esse programa, queremos dar às comunidades da floresta acesso mais rápido a saúde, educação, infra-estrutura básica, saneamento, água potável – ou seja, inclusão social", explicou.

Esses direitos, acrescentou, são constitucionais e ainda não foram garantidos: “Não é possível que nós, no século 21, ainda estejamos vivendo em comunidades iluminadas por lamparinas, como no século 19”.

Além das questões de infra-estrutura, o programa socioambiental trata de formas para regularização fundiária, principalmente na Amazônia, e de mecanismos para escoar a produção das florestas. “Milhares de pessoas não têm um documento que comprove que a terra lhe pertence”, disse o secretário do GTA, e isso dificulta o acesso a financiamentos. Sobre o escoamento da produção, ele sugeriu que a discussão deve permear estruturas de transporte como a navegação.

O 2º Encontro Nacional dos Povos da Floresta está previsto para os dias 18 a 21 de setembro. Para Adílson Vieira, vinte anos após a primeira edição, essa será uma oportunidade de discutir com a sociedade os avanços para as comunidades da floresta. "Apesar desse tempo todo, ainda sofremos com a falta de cidadania. E vemos muitas lideranças perseguidas e mortas, como aconteceu com Chico Mendes”, concluiu.

Obras na Amazônia podem acelerar aquecimento global, alerta pesquisador

Agência Brasil, por Wellton Máximo

Brasília - A execução de obras de infra-estrutura no norte e no oeste da Amazônia deve aumentar o desmatamento na floresta e contribuir para piorar o aquecimento global. O alerta foi dado hoje (19) pelo pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), durante debate na sede do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre as conseqüências das mudanças climáticas na economia.

O pesquisador destacou que empreendimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – como a BR-319, que ligará o Acre ao Peru, e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira – vão atrair um grande contingente populacional e estimular a agricultura e a pecuária na região. “Isso vai ampliar o chamado Arco do Desmatamento, que hoje abrange o Mato Grosso, ao sul do Pará e parte de Rondônia”, explicou.

Somente as obras das usinas do Rio Madeira, em Rondônia, segundo Fearnside, deverão levar 40 mil pessoas para trabalhar no estado: “Depois do fim da construção, esse contingente vai migrar para Porto Velho e, de lá, para o sul do Amazonas e o Acre, o que certamente resultará na expansão do desmatamento”.

Para o pesquisador, os efeitos podem ser trágicos não apenas sobre a Amazônia, mas sobre todo o planeta, porque o desmatamento é responsável pela maior parte da emissão de gás carbônico no país: “Atualmente, 75% do gás carbônico emitido pelo Brasil vêm do desflorestamento”.

Durante o dia, os vegetais absorvem gás carbônico e liberam oxigênio; com a derrubada de árvores, o gás carbônico deixa de ser absorvido, o que na prática equivale a uma nova emissão, explicou Fearnside, acrescentando que a Amazônia ainda consegue reter boa parte do gás carbônico, mas essa capacidade está se esgotando. Para ele, "as chances de as emissões terem superado o limite de resistência da Amazônia estão entre 15% e 60%”.

No debate, o pesquisador apresentou ainda previsões internacionais que mostram os efeitos do aquecimento global sobre a Amazônia: até 2100, a temperatura média na região deve subir entre 3,3 graus e 5,5 graus, o que trará conseqüências devastadoras sobre a maior floresta tropical do planeta. “Os modelos são divergentes em alguns pontos, mas eles apontam para o aumento da temperatura e a transformação da floresta em savana”, advertiu.

A partir de 2050, lembrou, existe o risco de o solo da Amazônia se salinizar e as árvores começarem a ser substituídas pelas gramíneas. Ele explicou que “com o aumento da temperatura, as árvores absorvem mais água, o que reduz as chuvas na região”. E que se as emissões de gás carbônico continuarem a crescer nos níveis atuais, em 2080 grande parte da floresta terá desaparecido.

Um dos modelos exibidos pelo pesquisador indicou que apenas o oeste do Amazonas e uma área que cobriria a Colômbia, o Equador e o nordeste do Peru manteriam as características originais da vegetação amazônica.

Atualmente, de acordo com o especialista, a proporção de gás carbônico na atmosfera é de 383 partes por milhão. “Antes da Revolução Industrial, no século 18, esse índice era de 280 partes por milhão, o que mostra um crescimento assustador, principalmente no último século”, ressaltou.

Descubra a quantidade de energia solar produzida no Googleplex

Google Discovery, por Renê Fraga, 19/06/2007
alterações por Alexandre Montenegro

Em Outubro de 2006, o Google anunciou que implantaria no Googleplex a maior instalação solar fotovoltaica dos Estados Unidos em seu campus. Até o momento já foram instalados 90% dos 9.212 painéis solares que devem gerar 1.600 quilowatts-pico. Os painéis cobrem o teto de oito prédios e também parte do estacionamento do Googleplex (confira o vídeo do projeto, feito no programa SketchUp).

A instalação é projetada para produzir energia suficiente para aproximadamente 1000 casas ou 30% da demanda no centro de operações do Google em Mountain View, Califórnia.

Através do site Google Solar Panel Project é possível acompanhar a produção dia-a-dia de energia limpa e renovável diretamente dos tetos do Googleplex.

Google vai abastecer frota com energia limpa

Fundadores da gigante da web inauguraram painel solar em cima do escritório. Objetivo é contribuir para a redução de gases poluentes na atmosfera.

Do G1, em São Paulo, com agências. 19/06/2007

Os fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin,
abastecem carro elétrico da frota da empresa,
que montou um painel solar gigante para gerar
energia e abastecer seus veículos. (Foto: Reuters)

O painel solar gigante cobre o telhado do escritório da Google,
localizado em Mountain View, na Califórnia. (Foto: Reuters)

O projeto, inaugurado nesta segunda-feira (18), tem como
objetivo abastecer os carros da empresa com energia limpa,
contribuindo para reduzir a emissão de gases poluentes
que causam o efeito estufa. (Foto: Reuters)

domingo, 17 de junho de 2007

Gerente de Desenvolvimento Energético da Petrobras defende adoção de novas tecnologias comprometidas com o meio ambiente

Portal Fator Brasil, 14/06

O gerente executivo de Desenvolvimento Energético da Diretoria de Gás e Energia da Petrobras, Mozart Queiroz, disse dia 13 de junho, que o Brasil está em uma situação confortável no que se refere à utilização de fontes alternativas de energia. Ressaltou, no entanto, que o mundo precisa evoluir de forma mais consistente nesse processo. "Não é preciso abrir mão da utilização do petróleo, mas precisamos avançar na adoção de novas tecnologias e, inclusive, promovermos mudanças de hábitos que resultem em menos poluição", assinalou Queiroz em palestra sobre "Matriz Energética para o Desenvolvimento Sustentável ,durante a 9ª Conferência Internacional- Empresa e Responsabilidade Social, promovida pela Instituto Ethos, em São Paulo, onde a Petrobras também lançou seu Balanço Social e Ambiental de 2006. No Rio de Janeiro o Balanço foi lançado no dia 12, em entrevista coletiva com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, no Edifício-Sede da empresa.

Mozart lembrou que a Petrobras executou seu primeiro projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) em 2004, ao inaugurar sua primeira usina eólica, em Macau (RN), com três aerogeradores (substituindo dois geradores elétricos e uma bomba mecânica de petróleo, ambos a diesel). Com a geração dessa fonte de energia renovável, a Companhia deixa de emitir cerca de três mil toneladas de CO2 por ano. "Estamos mostrando o que empresas comprometidas com a responsabilidade social e ambiental podem fazer", reforçou, citando ainda outras iniciativas da Companhia, como a implantação de painel fotovoltaico na plataforma PUB2 (Ubarana, Rio Grande do Norte) e de bombeio fotovoltaico em poço de Mossoró (RN), a adoção de energia termo-solar em várias de suas unidades, além de produzir biodiesel utilizando matérias-primas da agricultura familiar.

Ibama apresenta pontos críticos do Madeira

por Ivonéte Dainese, InvestNews / JB Online

SÃO PAULO, 15 de junho de 2007 - O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Bazileu Alves, apresentou hoje os pontos críticos sobre a construção das usinas do Complexo Madeira (RO) - Santo Antonio e Jirau - 6.450 MW -, tanto no aspecto ambiental quanto social.

"No aspecto ambiental, será necessária a adaptação do projeto inicial para as quedas das duas usinas com a utilização das turbinas Bulbo, para não comprometer a pesca na região", afirmou. Conforme estudo de Furnas e Odebrecht, há na região cerca de quinze mil pescadores cadastrados e que dependem da pesca. Com as usinas, isso provocaria um impacto social muito grande. Segundo os estudos, foram encontradas no rio Madeira cerca de 490 espécies diferentes de peixes.

Ainda de acordo com o presidente do Ibama, com as obras, a estimativa é de que serão gerados na região cerca de 20 mil trabalhadores e com um aumento da população em mais de 100 mil pessoas. "Os nossos cálculos dão conta de que serão necessários investimentos de R$ 1,6 bilhão em infra-estrutura", afirmou.

Outro agravante diz respeito à malária e à contaminação por mercúrio. "Naquela região as pessoas estão sujeitas a essa doença. Cada habitante tem mais de uma malária por ano. E sobre o mercúrio, a contaminação prevista no solo é intensa e isso se agravaria com a instalação das usinas", argumenta.

O Ibama entende também que a operação da usina poderá ficar comprometida com a quantidade de madeira que desce o rio, cerca de seis toneladas dia.

Quanto à licença ambiental, Bazileu Alves não se pronunciou.

Rothschild lança fundo de energias renováveis

O forte potencial de crescimento do sector de energias renováveis levou o Banque Privée Edmond de Rothschild a lançar em Portugal um fundo de "private equity" que quer investir 100 milhões de euros nos próximos dois anos em projectos de produção de energias alternativas em Espanha, estando também a estudar projectos em Portugal.

por Patrícia Silva Dias, Jornal de Negócios Online, Portugal.

Portugal - O forte potencial de crescimento do setor de energias renováveis levou o Banque Privée Edmond de Rothschild a lançar em Portugal um fundo de "private equity" que quer investir 100 milhões de euros nos próximos dois anos em projetos de produção de energias alternativas na Espanha, estando também a estudar projetos em Portugal.

O "roadshow" no mercado nacional já está a decorrer e o fundo fecha a 12 de Julho, assegurou ontem, em conferência de imprensa, o presidente da sucursal portuguesa José Vasconcelos e Sousa. O objetivo é captar cerca de 40% de investidores nacionais, cujo capital deverá começar a ser negociado em bolsa dentro de quatro a cinco anos.

Os responsáveis do Rothschild garantem que a procura dos investidores nacionais está a ser positiva, sendo de esperar rateio. As suas estimativas apontam para que este fundo venha a obter um retorno para os investidores na ordem dos 25%.

Quanto à admissão à bolsa, o objetivo principal "é criar um grupo sólido e diversificado, que consiga estar preparado para a entrada em bolsa dentro de quatro anos", como assegurou Francisco Rivas, responsável de "corporate finance" do grupo espanhol Capital Energy, que realizará o investimento.

A admissão à bolsa visa dar liquidez aos investidores e também continuar a financiar novos projeto. Está então aberta a possibilidade de ser lançado um novo fundo também na área das renováveis.

Este fundo vai trabalhar em projetos na Espanha nas áreas de energia eólica terrestre e marítima, termo-solar, fotovoltaica e biodiesel. Estão também a ser estudados projetos em Portugal, França e América Latina. No entanto, o investimento não será realizado diretamente no capital de empresas, mas sim em projetos.

Francisco Rivas salienta que o mercado europeu de energias alternativa terá de crescer entre 25 e 30% ao ano, de forma a cumprir os objetivos da Comissão Européia fixados para 2020.

MST entrega a Lula 17 mil assinaturas contra milho transgênico da Bayer

por Ana Paula Marra, Agência Brasil

Brasília - Durante a marcha pela Praça dos Três Poderes, os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) protocolaram hoje (14) um documento na Presidência da República. Com 17.500 assinaturas, o documento pede que o governo federal não libere o milho trangênico contra a liberação do milho transgênico LibertyLink, da empresa alemã Bayer CropScience.

A organização ambiental Greenpeace avalia que essa variedade transgênica do milho é feita para suportar uma quantidade maior do agrotóxico específico que a empresa fabrica. Com isso, a produção do milho transgênico, com mais agrotóxico, pode trazer danos ao meio-ambiente e à saúde humana.

A empresa alemã Bayer nega que as sementes do milho transgênico LibertyLink, desenvolvidas para serem mais resistentes a agrotóxico, possam causar danos à saúde humana ou ao meio ambiente. Segundo a transnacional, o herbicida "é um produto utilizado na agricultura há mais de 20 anos sem relato de danos à saúde humana".

Aquecedor solar com recicláveis é sensação em Apucarana

Paraná-Online, por Edson Denobi [15/06/2007]

Apresentado pela primeira vez em Apucarana em novembro do ano passado, o “Aquecedor Solar Alternativo” feito com materiais recicláveis, como garrafas PET e caixas de leite longa vida vazias, é a grande sensação do estande da Prefeitura de Apucarana na décima terceira edição da Festa da Cerejeira. Idealizado pelo aposentado catarinense José Alcino Alano e adotado pelo Programa “Desperdício Zero”, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (Sema), a invenção prova que é possível obtermos água quente a um custo praticamente zero. “O mais positivo de tudo é que além de economizar energia, o usuário preservar o meio ambiente. É um projeto de execução simples, feito com materiais acessíveis a todas as camadas da população”, observa o prefeito Valter Pegorer (PMDB).

O protótipo em exposição na feira foi montado pela equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (Sematur), com base em um manual amplamente divulgado pela Sema. “Este é um projeto de muito valor, tanto que conquistou prêmio pela revista Super-Interessante, de circulação nacional. Já na Festa da Cerejeira temos repassado aos interessados um exemplar do manual, mas comunicamos que mesmo depois deste evento estamos à disposição, na Secretaria, para dar as orientações”, destaca João Batista Beltrame, o Joba, secretário municipal da pasta. De finalidade social, o produto foi registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), evitando uso comercial.

Desde o ano passado, o Governo Estadual e o inventor vêm realizando uma série de palestras por todo o Paraná com o intuito de formar uma rede de agentes multiplicadores. “São oficinas práticas nos moldes da realizada no final do ano passado em Apucarana”, explica Joba. Cópia do material que auxilia na montagem está disponível para download no site www.pr.gov.br/sema.

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Leia também: Monte seu próprio aquecedor solar de baixo custo

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Resiliência e drama ecológico

por Leonardo Boff - lboff@leonardoboff.com
Fonte: EcoTerra Brasil


Inegavelmente estamos enfrentando, com o aquecimento global já iniciado, uma situação dramática para o futuro do planeta e da humanidade. Não apenas os grupos ecológicos estão altamente mobilizados mas também grandes empresários e os Estados centrais e periféricos.

Vivemos tempos de urgência pois não é impossível que a Terra, repentinamente, entre num estado de caos. Até que ele se transforme em generativo, podem ocorrer catástrofes incomensuráveis, atingindo a biosfera e dizimando milhões de seres humanos. Não consideramos esta situação uma tragédia cujo fim seria desastroso, mas uma crise que acrisola, deixa cair o que é agregado e acidental e libera um núcleo de valores, de visões e de práticas alternativas que devem servir de base para um novo ensaio civilizatório. Depende de nós fazermos com que os transtornos climáticos não se transformem em tragédias mas em crises de passagem para um nível melhor na na relação ser humano e natureza.

É neste contexto que convém trazer à baila o conceito de resiliência, não muito usado entre nós mas com crescente circulação em outros centros de pensamento.

O termo possui sua origem na matalurgia e na medicina. Em metalurgia resiliência é a qualidade dos metais recobrarem, sem deformação, seu estado original após sofrerem pesadas pressões. Em medicina do ramo da osteologia é a capacidade dos ossos crescerem corretamente após sofrerem grave fratura. A partir destes campos, o conceito migrou para outras áreas como para a educação, a psicologia, a pedagogia, a ecologia, o gerenciamento de empresas, numa palavra, para todos os fenômenos vivos que implicam flutuações, adaptações, crises e superação de fracassos ou de estresse. Resiliência comporta dois componentes: resistência face às adversidades, capacidade de manter-se inteiro quando submetido a grandes exigências e pressões e em seguida é a capacidade de dar a volta por cima, aprender das derrotas e reconstituir-se, criativamente, ao transformar os aspectos negativos em novas oportunidades e em vantagens. Numa palavra, todos os sistemas complexos adaptativos, em qualquer nível, são sistemas resilientes. Assim cada pessoa humana e o inteiro sistema-Terra.

Os riscos advindos do aquecimento global, da escassez de água potável, do desaparecimento da biodiversidade e da crucificação da Terra que possui um rosto de terceiro-mundo e pende de uma cruz de padecimentos, devem ser encarados menos como fracassos e mais como desafios para mudanças substanciais que enriquecerão nossa vida na única Casa Comum. Resignar-se e nada fazer é a pior das atitudes pois implica renunciar à resiliência e às saídas criativas.

Os estudiosos da resiliência nos atestam que para sermos resilientes positivamente precisamos antes de tudo cultivar um vínculo afetivo, no caso, com a Terra: cuidá-la com compreensão, compaixão e amor; aliviar suas dores pelo uso racional e contido de seus recursos, renunciando a toda violência contra seus ecossistemas; o Norte deve praticar uma retirada sustentável no seu afâ de consumo para que o Sul possa ter um desenvolvimento sustentável e em harmonia com a comunidade de vida. Importa alimentar otimismo, pois a vida passou por inúmeras devastações e sempre foi resiliente e cresceu em biodiversidade. Decisivo é projetarmos um horizonte utópico que dê sentido às nossas alternativas que irão configurar o novo que nos salvará a todos. Importa manter a saúde num ambiente doentio e assim Gaia será também saudável e benevolente para com todos.

Leonardo Boff
Teólogo

Handcase lança programa para controle de emissões e gerenciamento de créditos de carbono

Fonte: Assessoria Handycase

Foi lançado o primeiro programa para controle de emissões e gerenciamento de créditos de carbono para Palm: o CO2 Global. Ele tem por objetivo contribuir com uma ferramenta inédita e gratuita para gerenciar melhor as informações ambientais do ponto de vista das ações com emissão de carbono. "Esperamos que nossa iniciativa seja seguida por outras que tenham por objetivo gerenciar melhor as informações e ações de todos os envolvidos com o meio ambiente. É importante que como empresa brasileira mostremos que o Brasil esta realmente preocupado com a questão ambiental, para que outros países reconheçam nosso comprometimento com a questão. Iniciativas mesmo pequenas como a nossa reforçam este tipo de posicionamento." Explica Ricardo Garay diretor da Handcase.

Com o CO2 Global é possível gerenciar a compra e venda de créditos de carbono, fazer o planejamento das ações sustentáveis e de controle de emissão, organizar os certificados comprados ou vendidos, estabelecer índices de adicionalidade, emissão, redução e muito mais. Acompanha tabela de índices para cálculo de créditos de carbono e relação de links importantes sobre créditos de carbono e desenvolvimento sustentável. "Em uma semana espero termos a versão em inglês. Vamos disponibilizá-la para quem desejar tê-la e usá-la. Vamos oferecer para todos os sites envolvidos com a questão ambiental". Declara Ricardo Garay diretor da Handcase.

Para quem estiver interessado no freeware CO2Global, ele é exclusivo para Palm e roda em todos os modelos e sistemas Palm. O link é www.handycase.com sessão Freeware.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Fundo de investimento luso-brasileiro já tem R$ 375 milhões

Fonte: Agência Lusa

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - O fundo de investimento "FIP Caixa Ambiental", que o banco português Banif está lançando no Brasil, já tem R$ 375 milhões comprometidos, mais de metade do total previsto, disse nesta terça-feira o presidente do banco de investimento, Artur Silva Fernandes.

O presidente da instituição divulgou a informação em Lisboa, durante o lançamento do 1º Encontro Luso-Brasileiro de Negócios em Biocombustíveis, que acontece na próxima semana no Paraná. Fernandes afirmou ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o fundo de pensões do Banco do Brasil estão analisando a possibilidade de aderirem ao fundo.

"Na sua maior parte, o fundo vai ser subscrito no Brasil", disse o presidente do banco de investimento do Banif. O banco luso é parceiro da Caixa Econômica Federal e da Voga Empreendimentos no Fundo de Investimento em Participações Caixa Ambiental, lançado em março.

Ao Banif cabe a gestão do fundo. A Caixa é responsável pela administração e a Voga, pela consultoria de investimentos, que são direcionados ao setor de saneamento e de meio ambiente.

Segundo Fernandes, a parceria está fazendo "road-show" (espécie de apresentação) para captar investidores no setor financeiro em Lisboa, Londres, Nova Iorque e Miami.

Até a semana passada, do montante previsto, havia R$ 375 milhões inscritos, de um total de R$ 700 milhões.

A Caixa e o fundo de pensões da Petrobras aplicaram R$ 175 milhões cada um e há participação do próprio Banif, que deverá investir perto de R$ 25 milhões.

Para o presidente do Banif Investment, a participação neste fundo é "um marco" para o banco de investimento, porque é o primeiro no Brasil voltado para investimentos em infra-estruturas ambientais e que será entregue pela Caixa para gestão por terceiros.

De acordo com Fernandes, "o Brasil é um mercado-alvo muito importante" para o Banif, mostrando-se "muito interessante para o desenvolvimento de energias alternativas".

Novas energias

Além do fundo, o banco português pretende prestar serviços de assessoria financeira no megaprojeto do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, em Rondônia. Trata-se de um investimento de cerca de R$ 11 mil milhões, promovido pelas empresas brasileiras Odebrecht e Furnas.

Fernandes disse ter intenção de direcionar e especializar os investimentos do Banif para a área das novas energias, onde "aqueles que correrem mais rapidamente tendem a ter mais sucesso". A rentabilidade dos investimentos em novas energias, afirmou, "é compatível com os princípios e valores" da sustentabilidade ambiental e social.

Em Portugal, o banco de investimento está lançando um fundo fechado de 100 milhões de euros (R$ 259 milhões), para investir no segmento das novas energias, o New Energy Fund, já aprovado pela entidade reguladora do mercado de capitais e prestes a entrar no mercado de investidores institucionais.

O Banif está avaliando ainda projetos de energias renováveis em Portugal no valor de 300 milhões de euros (R$ 778,3 milhões). Está envolvido, ainda, no consórcio do grupo luso Lena, nos concursos para centrais de biomassa, na fábrica de biodiesel da Iberol, de um parque eólico e outro fotovoltaico.

O Banif é patrocinador e um dos cerca de 20 participantes no Encontro Luso-Brasileiro de Negócios em Biocombustíveis, que acontece em Curitiba entre 20 e 24 de junho.

Grupo português Martifer investirá em óleos vegetais no Maranhão

A Prio, empresa do grupo português Martifer, vai investir R$ 180 milhões na produção de óleos vegetais no Maranhão. O produto será destinado à indústria de biodiesel na Europa.

por Franci Monteles, Gazeta Mercantil


SÃO LUÍS, 12 de junho de 2007 - A Prio, empresa do grupo português Martifer, vai investir R$ 180 milhões na produção de óleos vegetais no Maranhão. O produto será destinado à indústria de biodiesel na Europa. A produção, prevista para iniciar dentro de dois anos, é da ordem de 200 mil toneladas por ano.

O projeto inclui o plantio de soja e girassol, além da construção de uma usina para a extração do óleo. O empreendimento deve gerar aproximadamente 1,5 mil empregos, entre diretos e indiretos, no projeto agrícola e industrial. O investimento no estado vai contribuir para dobrar a produção da Prio na Europa. O plantio, a ser iniciado até o final deste ano, vai envolver investimentos também no valor de R$ 180 milhões ao longo dos próximos cinco anos.

Este é o primeiro investimento do grupo português no Brasil. A opção pelo Maranhão, segundo o administrador da Prio, Antônio Martins, decorre das vantagens competitivas do porto do Itaqui, localizado em São Luís, e da vocação natural para a agricultura.

A usina de extração de óleo já tem local para instalação, no Distrito Industrial de São Luís, próximo ao Porto do Itaqui, por onde vai ser realizada a operação de escoamento. A empresa também já adquiriu algumas áreas para realizar o plantio. São terras localizadas nas regiões do Baixo Parnaíba e em Balsas, Sul do estado. O projeto agrícola prevê uma área total plantada de 50 mil hectares, entre soja e girassol, de acordo com Martins.

Empresas

O grupo europeu Martifer, que possui quarenta empresas, entre as quais a Prio, atua nas áreas de construção civil, fabricação de equipamentos para geração de energia eólica e solar, shopping centers e geração de energia eólica. Possui ainda duas usinas de biodiesel - uma em Portugal e outra na Romênia. Outras usinas estão em construção.

Mesmo sem fechar a cadeia do biodiesel, já que o projeto maranhense deslancha até a extração do óleo, a Prio reforça o grupo de empresas atraídas para o estado com o objetivo de investir em biocombustível.

No momento, outras duas empresas - a Brasil Ecodiesel e a Bioma - também instalam projetos destinados à extração de óleo e produção de biodiesel no Maranhão.

Para o secretário da Indústria e Comércio do Maranhão, Júlio Noronha, o investimento do grupo português é o reconhecimento das vantagens competitivas do estado. "O Maranhão é uma das mais importantes fronteiras energéticas do País", avalia Júlio Noronha.

Congresso

Esta semana, a Embrapa Meio-Norte promove em Teresina, no Piauí, o Congresso Internacional de Agroenergia e Biocombustível, com participação do governador do Maranhão, Jackson Lago, e do staf da Secretaria de Indústria e Comercio. O evento tem por objetivo difundir as políticas nacional e regional de agroenergia e biocombustível. São parceiros do congresso o Sebrae e governos do Piauí, do Maranhão e do Tocantins.

O autoprodutor de energia

por Jocélio Leal, Jornal O POVO

Uma idéia, a princípio bem-vinda, corre o risco de ser apagada no Congresso. O relator do projeto de lei 220/2007, de autoria do deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), o petista deputado Eduardo Valverde (RO), considera inadequada a seguinte proposta: Gadelha sugeriu que seja permitida a dedução da base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas físicas e jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido as despesas necessárias para a utilização de energia solar e eólica. Nada além de 5% do lucro operacional da pessoa jurídica e a 5% da soma de todos os rendimentos percebidos anualmente por pessoa física. Noutros termos, incentiva o uso de energias alternativas (solar e eólica, por exemplo).

O relator, contudo, entendeu a forma de estímulo sugerida não é a mais adequada. Entendeu que haveria distorções na alocação de recursos disponíveis para investimentos em energias renováveis, favorecendo artificialmente as fontes contempladas no projeto. "Assim, prejudicará irremediavelmente o desenvolvimento equilibrado das diversas vocações nacionais para geração de energia alternativa", afirmou no voto contrário. Valverde ponderou ainda que haveria distorções regionais, ao favorecer investimentos em regiões que possuem maior potencial eólico e solar.

Passando, poderia ser bem interessante para pousadas, hotéis e consumidores do litoral brasileiro, onde há muito sol e vento. Para o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEE), o cearense Adão Linhares, estimularia o uso de painéis fotovoltaicos e geradores eólicos de pequeno porte, substituindo a energia elétrica. "Reduziria o consumo de geração distante, portanto evitando investimento em aumento de oferta de grandes e distantes gerações (São Francisco, Tucuruí, Madeira, Belo Monte)". Seriam os chamados autoprodutores domésticos de pequena escala. O lobby pró-energias alternativas não pretende desistir.

Convênio estimula o uso racional de energia

Jornal da Mídia

Salvador - Com o objetivo de prestar assistência técnica à população de baixa renda de Feira de Santana e região e promover o uso racional da energia elétrica na construção de habitações populares, a Coelba, empresa do Grupo Neoenergia, assina hoje a renovação do convênio com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Através deste convênio a concessionária destinará R$ 21 mil para a manutenção do Escritório de Engenharia Pública do Departamento de Tecnologia (EPTEC).

A parceria entre a Coelba e o EPTEC foi iniciada no ano passado quando foi assinado o primeiro convênio no valor de R$ 37 mil. Durante o ano de 2006, o escritório desenvolveu mais de 140 ações entre projetos arquitetônicos, de instalações elétricas, estudos de incidência solar, levantamentos, cadastros, visitas técnicas e estudos de viabilidade de projetos.

Entre os trabalhos desenvolvidos estão os projetos de ampliação da Associação dos Moradores do Aviário e das instalações elétricas e estudo de incidência solar das 60 unidades do Conjunto Bosque União de Moradia Popular. Ao mesmo tempo em que oferece esse apoio e assistência técnica gratuitos, o EPTEC promove a interação e participação dos alunos do curso de Engenharia Civil através da prática do estágio .

Primeiro avião a jato do mundo movido por células a combustível a hidrogênio

Inovação Tecnológica


A tão propalada Era do Hidrogênio ainda não chegou. E pode até demorar um pouco. Mas tem gente fazendo bonito e bem feito. É o caso do primeiro avião a jato movido inteiramente por células a combustível - e o combustível das células, claro, é o hidrogênio.

Por enquanto o Hyfish é apenas um avião em miniatura, medindo 1,2 metro de comprimento, com uma envergadura de asa de 1 metro e pesando meros 6 quilos. Apesar disso, em sua primeira demonstração pública ele atingiu velocidades de até 200 km/h, em um vôo de 15 minutos.

O avião a jato a hidrogênio é uma criação do DLR ("Deutsches Zentrum fuer Luft- und Raumfahrt" - Centro Alemão de Pesquisas Aéreas e Espaciais), que contou com a colaboração de vários parceiros industriais.

A célula a combustível foi fabricada pela Horizon Fuel Cell Technologies, de Cingapura e é a única fonte de alimentação do pequeno jato. A célula é capaz de produzir 1 kiloWatt de energia, mesmo pesando apenas 3 quilos, aí incluído o tanque pressurizado de hidrogênio.

Segundo seus criadores, a tecnologia que está permitindo a criação e o desenvolvimento do HyFish poderá ser adequada não apenas para as aeronaves não- tripuladas, mas também para jatos executivos capaz de carregar até 20 passageiros.

Sistema de iluminação híbrido utiliza luz solar para substituir lâmpadas

Inovação Tecnológica

Engenheiros norte-americanos apresentaram um sistema híbrido de iluminação que aproveita a luz solar para iluminar diretamente o interior de residências e prédios comerciais, sem necessidade de conversão da luz em eletricidade. Em dias nublados, o equipamento controla automaticamente a intensidade das lâmpadas normais, mantendo sempre o mesmo nível de iluminação no ambiente.

Iluminação com luz solar

A técnica de iluminação híbrida solar-elétrica utiliza um coletor de luz solar instalado no telhado, medindo 1,2 metro de diâmetro e um espelho secundário que rastreia a posição do sol ao longo do dia. O coletor concentra a luz solar em 127 fibras ópticas que vão até o interior da construção, onde são conectadas a cilindros difusores de luz, parecidos com lâmpadas fluorescentes. São esses cilindros que espalham a luz em todo o ambiente.

Um único coletor atualmente consegue abastecer de oito a 10 cilindros difusores, que são capazes de iluminar uma área de quase 100 metros quadrados. Um sensor detecta quando cai o nível de iluminação - o que ocorre quando o sol se esconde por detrás das nuvens ou em dias nublados - e aciona automaticamente a intensidade das lâmpadas fluorescentes normais que completam o sistema híbrido.

Teto de vidro

O sistema é mais eficiente do que um simples teto de vidro por vários motivos. O primeiro é que a luz ultravioleta é bloqueada, assim como o calor representado pelos raios infravermelhos. Além do que a luz é distribuída de maneira uniforme e suave.

Os pesquisadores estimam que o sistema híbrido solar-elétrico pode representar uma economia de 6.000 kilowatts/hora por ano em iluminação e outros 2.000 kilowatts/hora na redução no uso do ar-condicionado.

Governo garante que escritórios do Ibama não serão fechados

por Iram Alfaia, Vermelho.org.br

Brasília - Como presidente da Comissão da Amazônia, a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse nesta terça-feira (12) à noite, no plenário da Câmara dos Deputados, que vai cobrar o acordo pelo qual o governo federal garantiu que nenhum escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) será fechado no Norte e Nordeste.

Antes da votação da Medida Provisória que divide o Ibama e cria o Instituto Chico Mendes, foram feitas intensas negociações com a participação da parlamentar, da liderança do governo e do relator da matéria, o deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Além do compromisso de não fechar os escritórios do Ibama nas duas regiões, Vanessa diz que foi acertado a contratação de mais funcionários para o órgão, isso após um levantamento criteriosos das necessidades. ''Também está no texto do relator que será baixado um ato do governo estabelecendo prazo para o licenciamento ambiental, com isso garantido agilidade no processo'', disse,

''Vários acordos estão permeando essa matéria. E nós cobraremos do governo mais eficiência e mais cuidado com o servidor público. Se isso não acontecer, serei a primeira a subir à tribuna para dizer quem tinha razão. Cobraremos, um por um, todos os acordos feitos e acompanharemos esse processo. Queremos ver melhorias na gestão ambiental'', discursou Vanessa,

A presidente da Comissão da Amazônia considera que houve avanços nas negociações, sobretudo porque a proposta previa o fechamento de uma série de escritórios de unidades descentralizadas do Ibama.

No entanto, ela achou que todas as medidas que visam o fortalecimento da questão ambiental adotadas na medida provisória poderiam ser tomadas de outra forma que não a divisão do Ibama e a criação de outro instituto. ''Entendemos que essa é uma decisão administrativa, uma decisão do governo federal para tentar encontrar a melhor forma de aplicar a política de gestão do meio ambiente em nosso país, mas acho que não foi o melhor caminho'', disse.

Aprovação da MP que divide Ibama gera protesto de servidores

por Carla Andrade, Agência JB

RIO - A Medida Provisória 366/07, que divide o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao criar o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade foi aprovada, nesta terça-feira, em sessão na Câmara dos Deputados. Foram 250 votos a favor contra 161 e sete abstenções.

O próximo passo é o encaminhamento do projeto de lei de conversão de autoria do deputado Ricardo Barros (PP-PR) ao Senado Federal.

A votação era esperada por servidores do Ibama, que fizeram uma vigília na Esplanada dos Ministérios, na madrugada de segunda-feira, a fim de chamar a atenção dos parlamentares. Antes da aprovação, muitos deles ocupavam as galerias do plenário e faziam protestos. Assessores da Câmara afirmaram que os manifestantes gritavam frases como 'jamais seremos vencidos' e 'fora, Marina Silva', em alusão ministra Marina Silva.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), avisou que não aceitaria mais servidores nas galerias caso a MP fosse alterada no Senado e voltasse à Câmara. Como os protestos continuaram e Arlindo Chinaglia determinou à segurança da casa o esvaziamento das galerias. O grupo foi retirado da casa

Relatório do Eurostat - Agricultura: Portugal é um dos países mais biológicos da União Europeia

por Helena Geraldes, Última Hora - Público.pt

Na União Europeia (UE), Portugal surge entre os países que mais se dedicam à agricultura biológica. Os últimos dados, relativos a 2005 e divulgados hoje pelo Eurostat, indicam que a fatia orgânica portuguesa é de 6,3 por cento, quando a média europeia é de 3,9 por cento.

Portugal surge ainda como um dos países com maiores explorações, com uma média de 148 hectares por exploração. Este valor só é ultrapassado pela Eslováquia (463 ha) e pela República Checa (305 ha).

O cultivo biológico de olival, vinha, árvores de fruto, hortícolas, cereais, plantas aromáticas, entre outras culturas, ocupa em Portugal mais de 233 mil hectares, num total europeu que ultrapassa os seis milhões de hectares. Itália (1,1 milhões de hectares) e Alemanha e Espanha (800 mil ha) são os países no topo da lista.

Malta (0,1 por cento) e Irlanda (0,8 por cento) são os que menos apostam na agricultura biológica.

Em 2005 existiam mais de 1500 operadores certificados, a maioria no Alentejo, de acordo com o Ministério da Agricultura. Há onze anos que o número tem vindo sempre a crescer.

Esta tendência agrícola, baseada nos ciclos naturais em vez de recorrer a produtos fabricados — como os pesticidas e adubos químicos — parece ser acompanhada pelos consumidores. Nos últimos anos, os mercados e feiras biológicas passaram de excentricidades a um hábito de cadência muitas vezes semanal. Os produtos biológicos tornaram-se aliados dos consumidores que dizem "não" aos alimentos transgénicos.

Ministros revêem Regulamento da Agricultura Biológica

Os ministros da Agricultura europeus reviram hoje o Regulamento da Agricultura Biológica, passando a ser obrigatória a utilização do logótipo biológico da União Europeia, com a indicação do local de cultivo. Apenas os alimentos com um mínimo de 95 por cento dos ingredientes biológicos podem ostentar essa distinção.

Os ministros aprovaram ainda a autorização de 0,9 por cento de organismos geneticamente modificados (OGM) nos alimentos biológicos, substituindo a tolerância zero.

Esta decisão já foi criticada em Portugal pela Plataforma Transgénicos Fora. "Os governos sabem que os OGM causam uma contaminação inevitável de toda a agricultura. Lamentavelmente preferiram sacrificar a agricultura biológica e o que ela significa de sustentável no altar de uma tecnologia perigosa cujo intuito final é concentrar o direito a semear nas mãos de meia dúzia de grandes multinacionais", criticou Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora.

Google e Intel lançam programa de eficiência energética

Por Leonard Anderson, Reuters Brasil

Estados Unidos (Reuters) - O Google, líder entre os mecanismos de busca, e a fabricante de semicondutores Intel lançou nesta terça-feira, 12/6, um programa amplo para introduzir computadores e servidores que economizam mais energia e reduzem as emissões de gases causadores do efeito estufa.

O novo programa também agrega empresas de tecnologia como Dell, Hewlett-Packard, IBM e a gigante de softwares Microsoft, além de outras.

O programa vai estabelecer novas metas de eficiência para computadores e ferramentas de software para administrar o consumo de energia.

O objetivo é fixar o novo alvo de 90% de eficiência para o fornecimento elétrico, disse Urs Holzle, vice-presidente sênior de operações do Google.

Isso reduziria as emissões de gases causadores do efeito estufa em 54 milhões de toneladas por ano e economizaria mais de 5,5 bilhões de dólares em custos de energia, disse ele em um encontro na sede do Google na cidade de Mountain View, Califórnia.

O programa, que também inclui o World Wildlife Fund (WWF), a agência de proteção ambiental dos EUA e a empresa de serviços públicos californiana PG&E, seguirá os padrões Energy Star da agência de proteção ambiental para eficiência em energia.

Esses padrões exigem que o fornecimento de energia para computadores pessoais atinjam pelo menos 80% de eficiência. Esse patamar crescerá para 90% até 2010 sob a nova iniciativa climática.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Operação Moeda Verde: Retrospectiva - parte 5

RBS-TV, Jornal do Almoço, Santa Catarina, 02/06/2007

Operação Moeda Verde: Retrospectiva - parte 4

RBS-TV, Jornal do Almoço, Santa Catarina, 01/06/2007

Operação Moeda Verde: Retrospectiva - parte 3

RBS-TV, Jornal do Almoço, Santa Catarina, 31/05/2007

Operação Moeda Verde: Retrospectiva - parte 2

RBS-TV, Santa Catarina, Jornal do Almoço, 24/05/2007

O Procurador-Chefe da República em Santa Catarina, Walmor Alves Moreira, foi o autor da denúncia que resultou na Operação Moeda Verde e na prisão de 22 pessoas suspeitas de integrar um esquema de mudança de leis e atos administrativos em benefício de empreendimentos imobiliários em áreas de preservação em Florianópolis.

Operação Moeda Verde: Retrospectiva - parte 1

RBS-TV, Santa Catarina, 18/05/2007

Ligações telefônicas gravadas durante as investigações da Operação Moeda Verde. Os arquivos revelam que, para inaugurar o Floripa Shopping em novembro de 2006, o empresário colombiano Carlos Amastha contou com a ajuda decisiva de Marcílio Ávila, na época presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis.

Operação Moeda Verde: Câmara de Vereadores de Florianópolis começa hoje a ouvir depoimentos

Audiências serão abertas por ex-empreendedor de shopping

por João Cavalazzi, Diário Catarinense

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara de Vereadores de Florianópolis começa a ouvir, hoje, os depoimentos de funcionários públicos municipais e empresários citados pela Polícia Federal nas investigações que deram origem à Operação Moeda Verde.

Realizada no dia 3 de maio, a operação resultou na prisão temporária de 22 pessoas acusadas de envolvimento em um suposto esquema para favorecer empreendimentos imobiliários na Ilha de Santa Catarina. As audiências são abertas ao público.

Conforme calendário estabelecido na semana passada, dez pessoas devem comparecer à CPI até sexta-feira. Serão dois depoimentos por dia.

Apenas os servidores municipais têm obrigação legal de comparecer às sessões, explicou o procurador-chefe da Câmara, Antônio Chraim. São eles os vereadores Juarez Silveira (sem partido) e Marcílio Ávila (PMDB), o servidor comissionado Itanoir Cláudio, que trabalhava no gabinete de Silveira, e o procurador do município, Jaime de Souza. Destes, apenas o procurador não teve prisão temporária decretada pela Justiça Federal.

Os três empresários que constam da lista de depoentes, assim como a delegada federal Julia Vergara da Silva e o procurador-chefe do Ministério Público Federal, Walmor Moreira, foram convidados a comparecer à Câmara, explicou o procurador Chraim.

Ao contrário dos funcionários do município, eles podem optar por não prestar depoimento à CPI, se assim desejarem.

Juiz pode anunciar decisão sobre afastamento

Hoje, o juiz Zenildo Bodnar, da Vara Federal Ambiental da Capital, pode decidir o pedido de afastamento do procurador-chefe da República, Valmor Moreira, do caso. O pedido de suspeição de Moreira, autor do requerimento que deu origem à Operação Moeda Verde, foi formulado pelos advogados que defendem o empresário Paulo Cezar Maciel, um dos sócios do Shopping Iguatemi.

Eles alegam que Moreira teria agido de forma parcial na disputa judicial que colocou em lados opostos Maciel e o ex-incorporador do Floripa Shopping, Carlos Amastha. O procurador nega a acusação.

Calendário

Hoje

14h - Carlos Amastha, ex-empreendedor do Floripa Shopping
16h - Itanoir Cláudio, chefe de gabinete de Juarez Silveira

Amanhã

14h - Paulo César Maciel da Silva, sócio do Shopping Iguatemi
16h - Paulo Toniolo Júnior, empresário, dono da DVA Veículos

Quarta-feira
14h - Renato Juceli de Souza, ex-secretário de Urbanismo e Serviços Públicos (Susp)
16h - Jaime de Souza, procurador do município

Quinta-feira
9h - Júlia Vergara, delegada da Polícia Federal
14h - Walmor Alves Moreira, procurador da União

Sexta-feira
9h - Juarez Silveira, vereador
14h - Marcílio Ávila, vereador licenciado, atual presidente da Santur

Políticas Energéticas e Gestão de Recursos Renováveis na Europa e Alemanha

Estão sendo coordenadas pelo LATEC (Laboratório de Energia, Gestão de Negócios & Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense) as inscrições para o Programa Internacional de Energia Braunschweig 2007.

Com duração de dez dias e a ser desenvolvido na renomada Universidade Técnica de Braunschweig, Alemanha, o Programa Braunschweig 2007 tem como objetivo principal apresentar aos seus participantes questões relevantes relacionadas com os debates de política energética, bem como de gestão de recursos renováveis na Europa e, em particular, na Alemanha.

Programa Internacional de Energia na Alemanha
Universidade de Tecnologia de Braunschweig
9 a 19 de setembro de 2007
Políticas Energéticas e Gestão de Recursos Renováveis na Europa e Alemanha

Informações e inscrições:
LATEC - UFF - Sra. Francielly - franci@latec.uff.br
Tels: [21] 2629.5617 e [21] 2717.6390

Cadastro Nacional de Instituições Ambientalistas

A ECOLISTA é uma base de dados sobre as instituições públicas e privadas que atuam na área do meio ambiente no Brasil. Reúne em um único local as informações dispersas em outras listagens, propiciando o intercâmbio e a visibilidade destas organizações.

A partir de 1970, muitas ONGs foram criadas no Brasil, grande parte delas na área ambiental. Elas desempenharam um papel muito relevante na proposição de políticas públicas para o meio ambiente, e também no desenvolvimento de ações de maneira complementar ao governo federal, dos estados e municípios. Em seu conjunto, foram cruciais para a construção de apoio social para a preservação dos biomas brasileiros, como a Mata Atlântica e a Amazônia.

Apesar desse papel importante, o caráter informal e a pouca estrutura de muitas ONGs dificultaram a comunicação entre elas e inviabilizaram cadastros de informação que fossem sistematicamente atualizados. E mesmo havendo alguns diretórios locais ou regionais de ONGs, não existia um cadastro nacional produzido e atualizado segundo critérios padronizados e conhecidos.

Isso mudou em 1992, com o lançamento do Cadastro Nacional de Instituições Ambientalistas, elaborado pelo Mater Natura, em parceria com o WWF. Em 1996, foi disponibilizada uma segunda edição ampliada e revisada deste diretório, rebatizado de ECOLISTA - Cadastro Nacional de Instituições Ambientalistas.

O Mater Natura, com o patrocínio da Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A., está agora disponibilizando a ECOLISTA online, um mecanismo destinado a propiciar a atualização sistemática e permanente das informações contidas na ECOLISTA, sem os lapsos de tempo como as ocorridas entre suas edições anteriores.

Clima de oportunidades

Por Thiago Romero, Agência FAPESP

O nível de consciência da população brasileira sobre as questões ambientais é alto e ocupa a sétima posição de um ranking que acaba de ser divulgado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. No estudo, o Brasil, país em que 24% da população diz se preocupar com as mudanças climáticas, aparece à frente do próprio Reino Unido (15%) e dos Estados Unidos (13%).

A pesquisa de opinião entrevistou 26.486 usuários de internet em 47 países e foi realizada pelo Instituto para Mudança Ambiental da universidade britânica, em parceria com a consultoria Nielsen Europe. O assunto foi discutido durante o evento "Impactos das mudanças climáticas no Estado de São Paulo", realizado no dia 6 de junho na sede da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), na capital paulista.

Os países que mais se preocupam com o tema, de acordo com o levantamento, são Suíça (36%), França (32%), Austrália (31%) e Canadá (31%). O interesse mundial pelo assunto também disparou nos últimos seis meses: 16% dos entrevistados consideram que a mudança climática é uma preocupação eminente – eram 7% em levantamento semelhante feito no fim do ano passado pela universidade.

“A demanda por informações referentes às mudanças climáticas aumentou brutalmente nos últimos meses, devido à publicação do quarto relatório de avaliação do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], que traz dados mais consistentes sobre causas e impactos do aquecimento global”, disse Pedro Leite da Silva Dias, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.

“Sabíamos que a divulgação do relatório teria impacto na opinião pública, mas a repercussão está sendo muito maior do que imaginávamos. Desde o começo de fevereiro, quando foi divulgada a primeira parte do relatório, mais de três eventos por semana são realizados em diferentes regiões do país sobre o assunto”, aponta Dias, que foi um dos autores brasileiros da primeira parte do relatório do IPCC divulgado este ano.

Para ele, um fator positivo é o alto interesse que o relatório despertou no poder público, em especial em integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados, além do setor produtivo, como em companhias vinculadas à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Dias destaca que não foram apenas governos e empresas que “acordaram para a importância da temática ambiental” – o Brasil é o quarto maior emissor de dióxido de carbono do mundo –, mas também estudantes, associações e cooperativas dos mais variados setores.

“O que mais impressiona é que as ameaças climáticas estão modificando a vida da população mundial de forma cada vez mais imediata. Mas a crise também pode gerar oportunidades. Esse é um momento único na história da humanidade de mudarmos padrões ambientais e caminharmos para a criação de sociedades mais sustentáveis. Não há como negar que teremos problemas, mas o tipo de adaptação para o aquecimento global deverá ser usado para melhorar as relações entre economia e meio ambiente”, defendeu.


Opinião consciente

O evento “Impactos das mudanças climáticas no Estado de São Paulo” contou ainda com a participação de Fábio Feldman, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e Biodiversidade. Para ele, um dos grandes desafios do Brasil para a mitigação do aquecimento global será dividir todo o conteúdo produzido nas pesquisas para a elaboração de uma agenda de ações para o país. “A participação de toda a massa crítica disponível na comunidade acadêmica nessa direção é indispensável”, disse.

Outro integrante da mesa, João Steiner, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, também lançou um desafio: “Sensibilizar o poder público para a tomada das melhores decisões ambientais na ótica da sociedade brasileira também é um papel da academia”.

“A pesquisa feita na Universidade de Oxford mostra que a opinião pública no Brasil está entre as mais conscientes do mundo, uma novidade importante que contribui para o debate das mudanças climáticas”, destacou Steiner.

Os impactos das mudanças climáticas na agricultura, na biodiversidade, no nível do mar e na saúde humana foram outros assuntos abordados na ocasião por especialistas como Carlos Alfredo Joly (Universidade Estadual de Campinas), Tércio Ambrizzi (USP), Luiz Cláudio Costa (Universidade Federal de Viçosa), Marcelo de Camargo (Instituto Agronômico de Campinas) e Roberto Schaeffer (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Geoinformações amazônicas

Agência FAPESP

O ImazonGeo é o novo serviço lançado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que reúne informações sobre a situação, dinâmica e pressão sobre as florestas e áreas protegidas da região

No site, as geoinformações são organizadas em mapas interativos, gráficos e relatórios. A seção Queimadas inclui dados de focos de calor de diversas fontes, como os satélites Modis, Noaa e Goes, e resultados de análises por município, área protegida e assentamento rural.

Em Desmatamento, são apresentadas informações sobre o desmatamento na Amazônia a partir de dados obtidos pelos projetos Prodes e Deter, do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe).

A seção Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) dá acesso aos boletins eletrônicos mensais de desmatamento obtidos por meio do sistema, além da base de dados usada para gerar as estatísticas.

Em Banco de Dados, o usuário pode acessar a base disponível no site, para consultas, visualização e customização de mapas. No ImazonGeo, os visitantes podem montar mapas particulares, a partir da combinação dos dados disponíveis.

O site oferece ainda mapas sobre o setor florestal, vegetação, pólos madeireiros, eixos de transporte madeireiro, planos de manejo, áreas de certificação florestal e unidades de conservação.

O Imazon é uma instituição de pesquisa sem fins lucrativos, cuja missão é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia por meio de estudos, apoio à formulação de políticas públicas, disseminação ampla de informações e formação profissional. O instituto foi fundado em 1990 e sua sede fica em Belém.

domingo, 10 de junho de 2007

Boletim da ECOECO: A economina ecológica e as políticas públicas para a Amazônia

O boletim n.14 da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO) trata de análises ecológico-econômicas que visam a preservação da mega-diversidade presente na Amazônia.

São apresentados cinco textos, além de indicação de livros sobre o assunto.

No primeiro texto “Desflorestamento e Políticas Agro-Ambientais na Amazônia”, Ademar Romeiro, do Instituto de Economia da Unicamp, expõe a idéia de criação de uma política agro-silvo-pastoril intensiva para uma extensa faixa de áreas já desmatadas na Amazônia que poderiam dar conta da demanda presente e futura. Uma política voltada para pequenos produtores, onde se investiria na fixação destes homens nas terras já abertas, diminuindo a pressão sobre áreas de floresta.

Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), no texto “Redução Compensada: viabilizando a redução das emissões de gases de efeito estufa através da diminuição do desmatamento” expõe a proposta dos países detentores de floresta tropical na Convenção do Clima da ONU (UNFCCC - United Nations Framework Convention on Climate Change) para receber recursos pelo desmatamento evitado. Esta seria uma Política baseada em um instrumento econômico para reduzir o desmatamento na Amazônia.

Alexandre Prado, da Conservation International (CI), no texto “Evolução do orçamento do Ministério do Meio Ambiente entre 2000 e 2006” nos traz um panorama do investimento da União nas questões ambientais, a falta de recursos nos faz questionar sobre a concretude de uma Política Nacional de Meio Ambiente.

Vincenzo Lauriola, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), no texto “Quem conserva a biodiversidade na Amazônia? Uma análise comparada da eficiência econômico-ecológica de Terras Indígenas e Unidades de Conservação” cria um indicador econômico-ecológico para estas Áreas Protegidas e propõe o uso deste indicador para subsidiar políticas publicas para a região.

André Lima, do Instituto SócioAmbiental (ISA) faz uma análise do primeiro mandato do Presidente Lula, as conquistas na área ambiental e os desafios para o mandato em curso.

O boletim completo pode ser lido aqui.

Novos ventos aquecem o clima global

Por Marta Kanashiro
Revista ComCiência

Dossiê Aquecimento Global
No. 85 - 10/03/2007


O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla inglês) foi criado em 1988, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), após a realização da Conferência Mundial, The Changing Atmosfere: Implications for Global Security, em Toronto, no Canadá. Composto por cientistas de todo o mundo, provenientes das mais diversas áreas do saber, o IPCC é responsável por apresentar fundamentações técnicas e científicas para as negociações acerca das mudanças climáticas.

De acordo com as áreas de conhecimento, o IPCC foi dividido em três grupos com funções distintas e complementares. O Grupo de Trabalho I, que movimentou a mídia no início de fevereiro ao apresentar em Paris novos resultados à comunidade internacional, volta-se para o estudo dos aspectos científicos do sistema climático e das mudanças climáticas. O Grupo II, que deverá divulgar resultados no dia 6 de abril (Bruxelas), avalia a vulnerabilidade da humanidade e dos sistemas naturais a essas mudanças, suas conseqüências e as opções para a adaptação necessária. Já o Grupo III, que tornará públicas suas considerações em 4 de maio (Bangkok), analisa as possibilidades de limitação das emissões de gases de efeito estufa, de mitigação da mudança climática e as conseqüências dessas medidas do ponto de vista sócio-econômico.

Segundo Roberto Schaeffer, engenheiro brasileiro membro do Grupo III do IPCC, o que é divulgado na imprensa são os sumários para tomadores de decisão, já que o relatórios ou suas partes são muito volumosas. Esses sumários são aprovados em plenária, da qual participam os pesquisadores e representantes de vários governos. O relatório como um todo deverá ser divulgado no dia 16 de novembro, em Valença, mas na opinião de Suzana Kahn Ribeiro, também engenheira e membro do Grupo III, terá menor impacto do que os sumários divulgados pela mídia até maio.

Do primeiro relatório publicado em 1990, até o mais recente sumário divulgado em fevereiro deste ano, o tom de urgência acentua-se, assim como a responsabilização do homem pelas mudanças climáticas. Enquanto o “Primeiro Relatório de Avaliação” afirmava a mudança climática como uma ameaça à humanidade e sugeria a adoção de um tratado internacional, o “Segundo Relatório de Avaliação” (1995) indicava uma influência nítida do homem sobre o clima através das emissões de gases de efeito estufa. Já o “Terceiro Relatório de Avaliação” (2001) apresentava evidências mais categóricas de que a principal causa do aquecimento global nos últimos 50 anos são as atividades humanas.

Baseado, entre outros fenômenos, na observação do aumento das temperaturas do ar e dos oceanos, no derretimento das geleiras e no aumento do nível do mar, o Grupo I já adiantou em seu sumário que o aquecimento global é algo “inequívoco”, e não apenas “provável” como se afirmou antes. Indica ainda que, desde o relatório anterior (2001), cresceram as influências antrópicas (causadas por atividade humana) sobre o clima.

O texto do Grupo I também projetou um aumento de temperatura de 0,2ºC por década, mesmo que as concentrações de gases de efeito estufa fossem mantidas constantes nos níveis que se encontravam no ano 2000. Já o aumento de emissões, conduziria a elevação da temperatura entre duas faixas 1,8ºC a 4ºC ou 1,1ºC a 6,4ºC, até o ano 2100, dependendo do cenário socioeconômico avaliado. As diferentes faixas de valores correspondem a simulação de cenários diversos, sendo que a projeção mais consensual é a do aumento de 3ºC, até o final do século. Para este mesmo período, o relatório estima um aumento do nível do mar entre 18 cm e 59 cm. O sumário do Grupo I conclui também uma grande probabilidade de ocorrências de eventos climáticos extremos, como temperaturas muito altas, chuvas abundantes, ou o aumento da intensidade dos ciclones tropicais, dentre outros.

Soluções tecnológicas enevoam reversão de atitudes

Apesar das afirmações do Grupo I terem papel fundamental no relatório como um todo, é o sumário do Grupo III que deve causar mais debate e polêmica no panorama internacional. Justamente por vir depois e fortalecido pelo “mea culpa” feito em Paris, e por tratar das possibilidades de limitação de emissões de gases de efeito estufa e da mitigação da mudança climática, que o relatório do Grupo III é cercado de tanta expectativa. Afinal, é na plenária para a discussão desse relatório que serão debatidas formas de limitar emissões de gases, e esse não é um assunto nada consensual entre governos, indústrias, e grandes empresas, o que dirá quando o tema gera mais especulação que resultados, como créditos de carbono, por exemplo.

Além do “empurra culpa” que já começa a aparecer na imprensa, há algo menos familiar e mais caro às entrelinhas dos jornais, tais como as que remetem às esperanças no engenho humano e que começa a chamar a atenção. São estudos e pesquisas feitos mundo afora que apostam em alta tecnologia para resolver o problema das mudanças climáticas, sem que se altere o panorama seja das emissões, do “progresso” industrial, de produção, ou “desenvolvimento” como querem alguns. Em outras palavras, ao invés de investir em redução do consumo de combustíveis fósseis ou eliminar práticas que contribuam para o aquecimento global, a aposta é na reestruturação do meio ambiente a partir de ferramentas técnicas que alterem os sistemas naturais da Terra. O embate aqui é acima de tudo para que o Grupo III coloque em suas linhas, ou deixe margem em suas entrelinhas, para o estímulo, ou ao menos a consideração positiva, a essas iniciativas high-tech.

Em fevereiro deste ano, o Grupo ETC (Action Group on Erosion, Technology and Concetration), uma organização não governamental que procura ampliar o debate acerca de novas tecnologias, lançou um comunicado alertando para essa questão. O grupo cita a geoengenharia como a nova ferramenta, que, de forma geral, envolve pesquisas (e experimentos já realizados) que pretendem manipular o meio ambiente para neutralizar efeitos indesejáveis das mudanças climáticas.

Uma matéria publicada em janeiro pelo jornal britânico The Guardian, relata que o governo dos Estados Unidos quer que cientistas desenvolvam tecnologias para bloquear a luz solar como última saída para a questão climática, sejam elas as que colocam em órbita espelhos para refletir a luz solar, ou que poluem a estratosfera com partículas de enxofre com intuito de simular uma erupção vulcânica e resfriar a Terra. De acordo com o The Guardian, em conjunto com o governo britânico, os EUA têm um lobby para pressionar os debates da plenária do Grupo III para distanciarem-se de conclusões que dariam suporte para um novo tratado mundial baseado em reduções de emissões. Ainda segundo o jornal, os EUA esperam que sejam enfatizados os benefícios de acordos voluntários e incluídas críticas ao Protocolo de Kyoto. Além disso, pressionam para que projetos de geoengenharia constem no sumário dos tomadores de decisão.

Segundo o ETC, as pesquisas nessa área não são recentes e nem ficcionais, como poderiam preferir alguns. Em 1940, o meteorologista Bernardo Vonnegut descobriu que fumaça de iodeto de prata poderia fazer com que nuvens precipitassem. Na opinião do ETC, esse foi o estopim para os esforços governamentais de manipular o clima. Em seu relatório, o grupo traça um histórico de pesquisas e articulações privadas e governamentais sobre essas manipulações sinalizando interesses estratégicos, políticos, científicos e militares em torno do tema. Dentre as geoengenharias o Grupo ETC cita as tecnologias para jogar partículas de enxofre na estratosfera (parte da atmosfera terrestre entre a troposfera e a ionosfera), colocar em órbita bilhões de finíssimos refletores, espalhar limalha de ferro em determinadas partes do oceano para aumentar a proliferação de fitoplânctons (para absorver gás carbônico), seqüestrar ou capturar gás carbônico (CO2) e armazená-lo em reservatórios de óleo e gás, aqüíferos salinos profundos, minas de carvão ou poços de petróleo já explorados, possibilitando a extração de mais petróleo.

Tanto Suzana Kahn Ribeiro, como Roberto Schaeffer discordam da idéia de que o relatório sofra pressões por parte de governos, o que é diferente do que ocorre com o sumário debatido em plenária. “Na realidade mostramos as alternativas existentes. O relatório é uma análise disso e não desenvolvimento ou incentivo a novas tecnologias. Apresentamos o que existe, e a tendência de sua penetração no mercado. Daí a importância deste sumário para que os tomadores de decisão possam avaliar o quanto de investimento e retorno poderão ter com cada alternativa. E o que se vê é que não existe uma alternativa única”, argumenta Ribeiro.

Na opinião dela o Brasil está muito distante de levar em consideração propostas tecnológicas muito custosas, tais como as de geoengenharia. Existem medidas e formas de redução de emissão que são consideradas, na literatura científica existente, e os custos dessas atitudes. As alternativas também têm pesos diferentes de acordo com a realidade socioeconômica de cada país e é por isso que Ribeiro afirma que as muito caras não condizem com a realidade brasileira. Medidas simples, nos países em desenvolvimento, podem contribuir muito para diminuir emissões em sua opinião, tais como inspeção veicular. “Aqui temos carros mais antigos e combustível de menos qualidade, que desregula o carro. Mas isso num país muito moderno, com a frota nova e combustível de boa qualidade, praticamente não traz ganho. Nem tudo é tecnologia”, diz ela, que acredita que alternativas de alta tecnologia só se tornarão comercialmente viáveis daqui a muito anos. Isso não condiz com as necessidades para o atual momento e, portanto, não deverão fazer parte do sumário.

No entanto, Ribeiro e Schaeffer não descartam uma forma de geoengenharia: a captura e seqüestro de carbono, tema que o IPCC não apenas já considerou, como publicou um relatório inteiramente dedicado ao tema. Segundo a engenheira, é de extremo interesse para alguns países e empresas ligadas a petróleo ou carvão, pois é uma opção que permite continuar a usar combustíveis fósseis. “A própria Petrobras já está trabalhando com seqüestro de carbono porque para ela é muito interessante”, afirma.

Seqüestro de carbono é a captura e estocagem de CO2, evitando sua emissão e permanência na atmosfera terrestre. A Petrobras tem considerado em suas pesquisas a possibilidade de armazenamento geológico de gás carbônico em minas de carvão não ativas, aqüíferos salinos ou injeção em poços de petróleo. Neste último caso, a pressão do gás carbônico possibilita a retirada de mais petróleo (residual) de poços já explorados. A empresa já participa de projetos internacionais nesse sentido, como o CCP2 (CO2 Capture Project), que envolve as principais empresas de petróleo e energia do mundo. Apesar disso, as grandes pesquisas nessa área não são brasileiras.

Roberto Schaeffer confirma que, de fato, há uma aposta muito grande na captura e armazenamento geológico de carbono. No entanto, para ele não estamos muito distantes de descobrir que não podemos partilhar da idéia de continuar emitindo gás carbônico. “Precisamos repensar seriamente o consumo direto, por exemplo, usar menos o carro e mais os transportes públicos, menos o aquecimento no inverno e menos ar condicionado no verão; e também o indireto, aquele embutido nos bens que consumo”, argumenta ele.

Schaeffer declara ainda que as grandes interessadas no negócio do seqüestro de carbono são as empresas de petróleo e as ligadas à mineração de carvão que não querem mexer no seu core business. De fato, o que se mede, segundo Schaeffer, é a relação custo-benefício entre mais tecnologia e deixar de emitir. “Apostar nessas tecnologias é mais caro do que não fazer absolutamente nada. Mas na medida em que essas empresas começam a sentir que haverá algum tipo de pressão, seja do governo ou da opinião pública, que direcione as pessoas para não usarem mais combustíveis fósseis, elas começam a se interessar a dar uma vida mais longa ao seu produto. Assim, elas começaram a usar o dinheiro para fazer com seu produto não seja tão sujo assim”, revela o engenheiro.

Ele explica que em algumas pesquisas demonstra-se que o vazamento desses depósitos de CO2 é pequeno, 0,1% ao ano, mas existem também estudos indicando que esse vazamento provoca a acidificação ou contaminação de lençóis freáticos. Schaeffer reconhece, por outro lado, que não se pode prescindir dos combustíveis fósseis imediatamente e cita pesquisa da própria Petrobras, que mistura óleos vegetais ao diesel (HBio). Nesse sentido ele defende que novas tecnologias factíveis são aquelas que não renunciam ao petróleo, mas associam-se a ele para promover uma transição. “O seqüestro de carbono vai fazer parte disso. Uma refinaria de petróleo é um lugar extremamente adequado para isso, porque aí podem ser feitos combustíveis sintéticos, a partir da separação do carbono e obtenção de hidrogênio”, afirma.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Meia dúzia de famílias não vão atrapalhar milhões, diz governador de Rondônia sobre usinas

Sabrina Craide e Eliane Gonçalves
Repórteres da Radiobrás
6/6/2007

Brasília - O potencial do Rio Madeira para geração de energia é parte de uma riqueza que não está sendo aproveitada, avalia o governador de Rondônia, Ivo Cassol. Em entrevista à Radiobrás, ele diz que a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio vai gerar 30 mil empregos diretos e 100 mil indiretos, e que o estado receberá “de braços abertos” as pessoas que chegarem com a migração prevista. Também defende que o interesse nacional da obra se sobrepõe ao das comunidades que terão de ser deslocadas: “Se tiver meia dúzia de famílias, isso não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia”.

Agência Brasil: Quais são os pontos positivos da construção das usinas em Rondônia?
Ivo Cassol: O grande ponto positivo é nos aproveitarmos a riqueza que o estado tem e não está sendo aproveitada. Esse projeto é diferente de Itaipu, das usinas com alagamentos, com impacto ambiental muito grande. Simplesmente, nós temos a cheia e permanecendo cheia, com isso aproveitando o fluxo normal. Da água do Rio Madeira para gerar energia não só para Rondônia, mas para o Brasil inteiro. Ou o Brasil constrói novas hidrelétricas ou arruma um outro sistema que possa gerar energia, ou vai ficar no escuro. Para Rondônia é ótimo, porque nós vamos ter 30 mil empregos diretos, mais de 100 mil indiretos, dar essa expectativa de uma condição de vida melhor para o povo.

ABr: O estado está preparado para o fluxo migratório que pode acontecer?
Cassol: Se nós formos ver pelo lado negativo, “porque tem malária”, “porque tem isso”... Nós já temos a questão da malária, ainda não foi descoberta uma vacina que evite a propagação. O que nós temos que fazer é continuar combatendo. Da mesma maneira, se nós vermos o problema social. Já está faltando água aqui em Porto Velho, faltando esgoto, o que falta para nós é recurso. Os organismos internacionais e o próprio governo federal nos cobram muito, nos prometem bastante e não nos dão nada. Então, nós temos que aproveitar essa potencialidade que o estado tem, mesmo que tenha uma migração um pouco maior, não acredito que vai ser tão grande. Mesmo vindo mais cidadãos brasileiros para Rondônia, nós vamos receber de braços abertos e estaremos preparados para isso.

ABr: O que o estado vai fazer para evitar a proliferação da malária?
Cassol: Aumenta o número da malária quando você tem a cheia e depois tem a seca, quando prolifera o mosquito. Com a cheia normal, natural, simplesmente a água vai estar naquele patamar o tempo inteiro. Porque, nas usinas do Madeira, o fluxo é normal. Não é uma barragem para poder fazer um armazenamento de água. Conforme a água entra, ela sai. O resto é conversa fiada. O que nós precisamos é o governo federal voltar a fazer o dever de casa, assumir a Funasa [Fundação Nacional da Saúde], que são os “malarientos”, como a gente dizia, o pessoal que cuidava da malária, que hoje colocaram nas mãos do município. Foi no governo passado, eu era prefeito e dizia que não funcionava. Esses servidores federais que estão à disposição dos municípios para combater a malária, infelizmente a maioria dos municípios não trabalha. Ou não tem carro, ou não tem estrutura, ou não tem condições de fazer o trabalho.

ABr: Como fazer com as pessoas que serão desabrigadas pelas barragens?
Cassol: Pode ter certeza de que desabrigado não tem. Não tem os das barragens não sei o que, isso é pura fanfarra. Se tiver algum pode ter certeza de que dentro do projeto já tem recurso alocado para ele se transferir com a sua moradia, com o seu conforto no mínimo mil vezes melhor. Se tiver meia dúzia de famílias, isso não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia. [O estudo de impacto ambiental prevê que quatro comunidades serão afetadas; para o Ibama, serão seis.] É o povo brasileiro, o povo de Brasília, o povo do Rio, de São Paulo, dos grandes centros, que precisa dessa energia. Energia limpa.

ABr: Para alguns dos críticos do projeto, o problema maior é a intenção de fazer uma hidrovia com o Madeira...
Cassol: O Rio Madeira é navegável, tanto que a produção de soja do Mato grosso, a produção de milho, mesmo carne, o produto que é feito na Zona Franca de Manaus, geladeiras, televisões, sobe o rio até Porto Velho e aqui acaba sendo distribuído para o Brasil inteiro. Além disso, tem o Aeroporto Internacional de Manaus, que leva para outros países. Nós temos a cachoeira, ela é intransponível hoje, e com as eclusas o rio vai se tornar navegável. Nós podemos sair daqui e ir até Vila Bela, no Mato Grosso. Lógico para isso seria preciso construir mais duas usinas para cima. Então as eclusas é simplesmente você ir projetando o futuro. Senão, lá na frente, você precisa depois o triplo do dinheiro para fazer. Num projeto desses tem que deixar prevenido uma obra estruturante para que a gente possa desenvolver as regiões sem ter medo de devastação. O que nós temos que ter é medidas rigorosas em locais proibidos, e em Rondônia nós temos o zoneamento socioeconômico, que foi aprovado e diz o que pode e o que não pode. E onde não pode, não pode, acabou.

ABr: Há fiscalização?
Cassol: Lógico. Nós acompanhamos passo a passo. E as áreas que têm migração, invasão, são áreas devolutas, da União, onde quem devia estar atuando é a União. Das derrubadas que acontecem no estado, 95% você pode ter certeza que é nessas áreas.

ABr: Existem denúncias de que o governo está usando a estrutura do estado para colher assinaturas em favor das usinas. Isso procede, está acontecendo?
Cassol: Eu quero que esses segmentos aí expliquem para o povo de onde eles tiram dinheiro para ficar aqui em Porto Velho. O que eu estou defendendo é a economia do estado de Rondônia. O que a sociedade num todo está defendendo são obras necessárias para o Brasil. Em cada local está lá o abaixo-assinado que as pessoas podem assinar. E ninguém é obrigado a assinar.

ABr: E nas escolas, estão sendo colhidas assinaturas?
Cassol: Em todos os lugares estamos colhendo assinaturas. E pegando opinião não só do comércio, mas também dos nossos alunos. Todo mundo que queira participar para dar o seu depoimento, pró ou contra, nos ajuda. Mas, para nossa alegria, estamos aí com 99,9% das pessoas favoráveis.

ABr: Mas o que se fala é que as pessoas estão sendo coagidas, estão sendo forçadas, que tem uma barganha para que elas assinem.
Cassol: Essa barganha que eles estão falando é igual história de Papai Noel. Vou te dar outro exemplo. Nós temos em Rondônia a maior jazida de diamante do mundo. Praticamente paga a dívida externa. Eu denunciei, em 2003, com documento assinado para o ministro da Justiça, para o presidente Lula, que ia acontecer uma chacina lá dentro, falei que estão levando embora o nosso diamante. Passaram-se quatro anos, a exploração ilegal continua. Quem é beneficiado com aquela riqueza? São bandidos, estão financiando alguma coisa por esse mundo afora e não fica nada para Rondônia, para o município e para o governo federal. Toda vez tentaram me envolver como se eu fosse uma pessoa beneficiada. Mas o único que teve coragem de denunciar a extração foi o governador Ivo Cassol. Aí montam um grupo de trabalho, mandam uma equipe para cá só para ganhar diária e mordomia.