quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Movimentos protestam contra caráter elitista da Ecopower

Movimentos sociais de Florianópolis realizam protesto nesta quinta-feira (29), na Praia do Santinho, em função da destinação de R$ 3,2 milhões do governo do Estado ao evento Ecopower.

Os movimentos não questionam a natureza e a importância da discussão sobre o aquecimento global e energias alternativas, mas o viés contraditório de um evento financiado pelo poder
público que não permite a participação de parcelas da sociedade civil que se interessam pelo tema (tais como ambientalistas, associações de moradores, movimentos sociais, sindicalistas, cidadãos comuns e até pesquisadores), em função do preço exorbitante da inscrição – R$ 2,7 mil por pessoa.

A escolha do local para a realização do Evento também é objeto de críticas dos movimentos populares, em função de todos os fatos veiculados sobre a Operação Moeda Verde, que envolvem o proprietário do hotel que sedia a Ecopower. Trata-se de uma tentativa de 'limpar' ou desvincular a imagem do empresário e do empreendimento em relação à citada operação.

A manifestação será organizada pelos seguintes movimentos:
SINTESP, UCE, SINTAE,FAMESC, SINDALESC, UFECO

Informações sobre o protesto e caronas: [48] 9961-4953

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Leia também:
Moeda Verde - Polícia Federal indicia o prefeito de Florianópolis
Operação Moeda Verde, versão Espanha

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Google planeja investimentos em energia renovável

Reuters Brasil, 27/11/2007
Por Eric Auchard


SAN FRANCISCO - O Google informou nesta terça-feira que gastará centenas de milhões de dólares nos próximos anos em uma nova tentativa de encorajar o uso de eletricidade renovável barata. Para o projeto, conhecido como Energia Renovável Mais Barata do que Carvão (Renewable Energy Cheaper Than Coal), estão sendo contratados engenheiros e especialistas para trabalhar no desenvolvimento de energia solar avançada, energia eólica, melhoramento de sistemas geotérmicos e outras novas tecnologias, afirmou a empresa norte-americana.

O Google está, desta forma, tirando vantagem de sua crescente disponibilidade de recursos, reconhecimento global da marca e explosiva capitalização de mercado para fazer campanha pelo uso de energia alternativa.

Os líderes da companhia argumentam que a hora é propícia para investimentos em pesquisa inovadora, a fim de cortar custos de energia.

"Nossa meta é produzir um gigawatt de capacidade de energia renovável que é mais barata que carvão. Estamos otimistas que isso pode ser feito em anos, não em décadas", disse Larry Page, co-fundador do Google e presidente de produtos da companhia, em um comunicado.

Um gigawatt de energia é o suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de San Francisco, nos Estados Unidos.

Trabalhando junto a seu grupo filantrópico google.org, a companhia relatou que planeja gastar dezenas de milhões de dólares em 2008 em pesquisa e desenvolvimento de energias renováveis, e, eventualmente, ampliará o orçamento para a realização de projetos para gerar "retornos positivos".

Tecnologia nacional para produção de módulos solares fotovoltaicos

por Izete Zanesco* e Adriano Moehlecke**

A equipe do Núcleo Tecnológico de Energia Solar (NT-Solar) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sede do Centro Brasileiro para Desenvolvimento de Energia Solar Fotovoltaica (CB-Solar), está desenvolvendo projetos de P&D focados em células solares, módulos fotovoltaicos e sistemas fotovoltaicos autônomos, financiados pela FINEP, CEEE, Eletrosul, Petrobras, Ministério de Minas e Energia e CNPq.

Célula solar industrial desenvolvida pela equipe do NT-Solar/CB-Solar. Clique na imagem para vê-la ampliada.









Os projetos “Planta piloto para produção de módulos fotovoltaicos com tecnologia nacional” e “Implementação de duas unidades geradoras de energia elétrica com módulos fotovoltaicos eficientes” estão voltados para o desenvolvimento de dispositivos fotovoltaicos em linha de produção.

Sistema de evaporação em alto vácuo de metais e filmes finos.
Clique na imagem para vê-la ampliada.

O primeiro projeto tem por objetivo a implementação de uma planta piloto para fabricação de células solares e módulos fotovoltaicos em fase industrial e com tecnologia nacional. O resultado é o desenvolvimento de um processo completo para produção de células e módulos fotovoltaicos de qualidade e custo reduzido, sendo desta forma, competitivos no mercado mundial. O projeto está em seu terceiro ano de execução. Em 2006, o projeto foi o vencedor do II Prêmio Melhores Universidades Guia do Estudante e Banco Real, na categoria Inovação e Sustentabilidade. No mesmo ano, o projeto também foi finalista do Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação.

Lâminas de silício no processo de difusão de impurezas dopantes.
Clique na imagem para vê-la ampliada.


Além da formação de recursos humanos em nível de pós-graduação qualificados para processos industriais, os principais resultados já alcançados são relativos à eficiência de células solares. Células industriais de 12,9 por cento foram fabricadas em substrato de silício monocristalino crescido pela técnica Czochralski e por meio de um processo de baixo custo. Esta eficiência é similar a média da indústria de módulos fotovoltaicos. Empregando o mesmo processo, células de 4 cm2 de área alcançaram a eficiência de 15 por cento. O resultado mais recente e de importante impacto deste projeto é o desenvolvimento de um processo industrial que produz células solares de 16 por cento de eficiência.

O objetivo do projeto “Implementação de Duas Unidades Geradoras de Energia Elétrica com Módulos Fotovoltaicos Eficientes” é instalar dois sistemas fotovoltaicos em escolas afastadas da rede elétrica com módulos fotovoltaicos eficientes, desenvolvidos no Brasil. Para a fabricação dos módulos fotovoltaicos serão desenvolvidas células solares industriais de alta eficiência, fabricadas em substratos de silício de alta qualidade. Considerando a dificuldade de transporte de módulos para locais de difícil acesso, as inovações estão focadas no desenvolvimento de módulos de alta densidade de potência por metro quadrado.
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Assista ao vídeo
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* Licenciada em Física pela UFRGS, Mestre em Engenharia na Área de Energia pela UFRGS, e Doutora em Engenharia pela Universidade Politécnica de Madri. Coordena, em conjunto com o Dr. Adriano Moehlecke, o CB-Solar (Centro Brasileiro para Desenvolvimento de Energia Solar Fotovoltaica).
** Licenciado em Física pela UFRGS, Mestre em Engenharia na Área de Energia pela UFRGS, e Doutor em Engenharia pela Universidade Politécnica de Madri. Coordena, em conjunto com a Dra. Izete Zanesco, o CB-Solar.

Conferência em Bali vai discutir preço para países pobres manterem florestas, diz Lula

Agência Brasil, 27/11/2007
por Carolina Pimentel

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (27) que durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada no próximo mês em Bali, na Indonésia, será discutido o preço que os países ricos devem pagar para os pobres manterem suas florestas.

“Você não vai convencer um pobre de nenhum país do mundo de que ele não pode cortar uma árvore se não tiver como troco [o direito] de trabalhar e comer”, afirmou Lula, ao discursar durante o lançamento do Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O presidente destacou que o debate sobre as mudanças climáticas não é apenas econômico ou ambiental, mas também político, ao referir-se aos Estados Unidos, que produzem etanol a partir de milho, matéria-prima mais cara.

“Um pobre querer ficar rico é fácil, o problema é querer que alguém diminua o seu padrão de consumo, o que leva às guerras”, acrescentou Lula.

O relatório do Pnud constata que as populações pobres são as mais atingidas pelas mudanças climáticas, porque não possuem sistema de proteção ou reservas.

Mundo precisa agir contra efeito estufa em menos de 10 anos

Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU traz firme advertência contra a mudança climática
Estadão Online, 27/11/2007
por Raymond Colitt, da Reuters



BRASÍLIA - A menos que a comunidade internacional decida cortar as emissões de carbono pela metade na próxima geração, as mudanças no clima serão muito provavelmente responsáveis por enormes prejuízos econômicos e humanos, além de catástrofes ecológicas irreversíveis, afirmou um relatório da ONU na terça-feira.

O Relatório de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU) é uma das advertências mais contundentes já feitas sobre o impacto das mudanças climáticas no padrão de vida das pessoas, e serve de apelo para providências coletivas urgentes.

"Podemos estar prestes a observar um retrocesso no desenvolvimento humano pela primeira vez em 30 anos", disse à Reuters Kevin Watkins, principal autor do documento.

O relatório, apresentado em Brasília na terça-feira (27/11), estabelece metas e um guia de ação para reduzir as emissões de carbono, e serve de preparativo para a cúpula sobre o clima que a ONU realiza no mês que vem em Bali, na Indonésia.

As emissões de dióxido de carbono e de outros gases na atmosfera colaboram para que o calor fique aprisionado perto da superfície, como numa estufa, o que leva ao aquecimento global.

"A mensagem para Bali é que o mundo não pode esperar, que tem menos de uma década para mudar de rumo", disse Watkins, que também é pesquisador da Universidade de Oxford.

O surgimento de mudanças climáticas perigosas para o ser humano será inevitável se nos próximos 15 anos as emissões seguirem as tendências dos últimos 15 anos, afirmou o documento.

Para evitar um impacto catastrófico, a elevação na temperatura média global tem de ficar limitada a 2 graus Celsius. Mas as emissões de carbono, provenientes de carros, usinas de energia e do desmatamento no Brasil, Indonésia e em outros lugares, hoje estão num nível que é o dobro do necessário para cumprir a meta, segundo os autores da ONU.

A mudança no clima pode condenar milhões de pessoas à pobreza, disse o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Desastres provocados pelo clima afetaram 262 milhões de pessoas entre 2000 e 2004, sendo que 98 por cento delas estavam no mundo em desenvolvimento.

E, segundo o texto, o impacto desses desastres na vida dos mais pobres não é momentâneo, mas sim se prolonga por toda uma geração, o que cria um ciclo vicioso de reprodução da miséria.

Uma elevação da temperatura média do planeta entre 3 e 4 graus Celsius desalojaria 340 milhões de pessoas devido à ocorrência de inundações, de secas que reduziriam a produção agrícola e do recuo dos glaciares, que diminuiria o fornecimento de água para até 1,8 bilhão de pessoas, afirmou o levantamento.

No Quênia, crianças de menos de 5 anos têm 50 por cento mais risco de ser desnutridas se nascem num ano de seca, o que afeta sua saúde e sua produtividade pelo resto da vida.

Os países possuem recursos técnicos e financeiros para agir, mas falta vontade política, afirmou o relatório. O documento ressaltou os Estados Unidos e a Austrália, as duas únicas potências econômicas ocidentais que não assinaram o Protocolo de Kyoto, acordo do qual participam 172 países na tentativa de cortar as emissões de carbono, e que expira em 2012.

A Etiópia emite 0,1 tonelada de dióxido de carbono per capita, enquanto o Canadá, por exemplo, emite 20 toneladas. As emissões per capita dos Estados Unidos são mais de 15 vezes maiores que as da Índia.

PLANO DE AÇÃO

O mundo precisa investir 1,6 por cento da produção econômica global por ano, até 2030, para estabilizar o estoque de carbono e atingir a meta de não elevar a temperatura mais que 2 graus Celsius. Os países ricos, os maiores emissores de carbono, precisam assumir a liderança e cortar pelo menos 30 por cento até 2020 e 80 por cento até 2050. Os países em desenvolvimento têm de cortar as emissões em 20 por cento até 2050, disse o Pnud.

"Quando os moradores de uma cidade norte-americana ligam o ar-condicionado ou os europeus usam seus carros, suas atitudes têm consequências (...) que os ligam a comunidades rurais de Bangladesh, a agricultores da Etiópia e a favelados do Haiti", disse o relatório.

O Pnud recomendou uma série de medidas, entre elas a melhora na eficiência em termos do consumo de energia de aparelhos e carros, a imposição de limites às emissões e a possibilidade de negociar permissões de emissão. O órgão afirmou que a tecnologia experimental para armazenar de forma subterrânea as emissões de carbono é promissora para a indústria do carvão, e sugeriu a transferência de tecnologia para países em desenvolvimento que dependem do carvão, como a China.

Um fundo internacional teria que investir entre 25 bilhões e 50 bilhões de dólares ao ano em países em desenvolvimento para aumentar o uso de fontes de energia de baixa emissão.

Questionado se o relatório é alarmista, Watkins disse que ele se baseia na ciência e em evidências: "Desafio qualquer pessoa a falar com vítimas de secas, como fizemos, e pôr em dúvida nossas conclusões sobre o impacto de longo prazo dos desastres climáticos."

REUTERS MPP


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Mundo plantou mais de 1 bilhão de árvores em 2007, diz ONU

As árvores absorvem CO2 durante seu crescimento, e por isso reduzem o ritmo do aquecimento global
Estadão Online, 28/11/2007
por Alister Doyle, da Reuters


OSLO - O mundo superou a meta da Organização das Nações Unidas de plantar 1 bilhão de árvores em 2007, como forma de conter o aquecimento global, graças especialmente a um enorme projeto florestal na Etiópia, disse na quarta-feira o Programa Ambiental da ONU.

A iniciativa global de arborização, inspirada no trabalho da ambientalista queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz de 2004, serve para contrabalançar a devastação provocada pela extração de madeira e pelas queima das matas para dar espaço à agropecuária.

"Uma iniciativa para catalisar a promessa e o plantio de 1 bilhão de árvores alcançou e na verdade superou sua marca", disse Achim Steiner, diretor-geral do Programa Ambiental da ONU, em nota. O dado inclui as árvores plantadas por governos, empresas e indivíduos.

"É mais um sinal do impulso estonteante testemunhado neste ano a respeito do desafio para esta geração: a mudança climática", acrescentou Steiner.

As árvores absorvem dióxido de carbono (o principal dos gases do efeito estufa) durante seu crescimento, e por isso reduzem o ritmo do aquecimento global.

A ONU disse que a Etiópia é a líder disparada nesse ranking, com 700 milhões de árvores plantadas em todo o país. Há alguns séculos, 40% do atual território etíope era coberto por florestas; atualmente, são apenas 3%.

Outros plantadores importantes, segundo o relatório, são México (217 milhões de árvores), Turquia (150 milhões), Quênia (100 milhões), Cuba (96,5 milhões), Ruanda (50 milhões), Coréia do Sul (43 milhões), Tunísia (21 milhões), Marrocos (20 milhões), Mianmar (20 milhões) e Brasil (16 milhões).

A meta de plantar 1 bilhão de árvores foi estabelecida em novembro passado em Nairóbi, apesar das críticas de que seria impossível verificar o total efetivamente alcançado. A meta foi declarada atingida na semana passada, antes, portanto, da importante conferência climática da ONU dos dias 13 e 14 de dezembro em Bali (Indonésia).

"Vocês responderam além dos nossos sonhos", disse Maathai. "Agora precisamos manter a pressão e continuar o bom trabalho pelo planeta. Plantem outra árvore hoje para comemorar."

China, Guatemala e Espanha devem em breve anunciar novos projetos para o plantio de milhões de árvores, disse o Programa Ambiental da ONU.

A Indonésia pretende plantar 80 milhões de árvores em um só dia, antes da conferência de Bali, destinada a iniciar dois anos de debates sobre um tratado climático global que suceda ao Protocolo de Kyoto, a partir de 2012.

A ONU diz verificar as promessas de plantação de árvores - que atualmente somam 1,5 bilhão - a fim de avaliar sua viabilidade, mas sem garantias de que todos os espécimes sejam efetivamente plantados. O Programa Ambiental disse que os totais ainda estão sendo conferidos.

Valorizar a Floresta: única saída

Artigo publicado no Jornal A Tribuna, em 13/11/07
Por Ecio Rodrigues*


As organizações não governamentais, ONGs, responsáveis pela idéia, elaboração e articulação para assinatura do que se chamou de Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia (documento de contrato social que contou com o apoio de todos os governos dos nove Estados da Amazônia), procuraram se precaver do óbvio: da possível rejeição por parte da classe política, sobretudo aquelas que atuam em nível local.

Os ocupantes dos cargos nos poderes executivos municipais e estaduais, na maioria das vezes, entendem somente a linguagem dos recursos financeiros. E como a proposta do Pacto depende do envolvimento dos governantes, os de agora e os do próximo mandato, a saída foi a criação de um Fundo Financeiro a ser abastecido com recursos nacionais e internacionais.

Esse Fundo, a ser administrado de maneira independente e autônoma, terá a função de remunerar tanto os produtores, como os estados e municípios, que ao aderirem ao Pacto aceitem abrir mão do direito, que infelizmente eles possuem, de desmatar.

Para formulação do Fundo, as ONGs cercaram-se de economistas que, por sua vez, buscaram na teoria econômica a possibilidade de um cálculo de valor financeiro baseado no custo de oportunidade da terra. Tentando ser mais simples, trata-se de oferecer ao produtor, uma compensação em dinheiro, pelo sacrifício que fará por não obter os lucros auferidos pelo uso agropecuário, que porventura poderia dar à sua terra, ao desmatar sua floresta.

Nesse caso, o Pagamento por Serviços Ambientais, um instrumento inovador introduzido sob a ótica do consagrado princípio do poluidor/pagador, ocorreria, ou seja, o pagamento ao produtor se concretizaria segundo o cálculo das emissões de carbono que deixariam de ser jogadas no ar, por conta dos desmatamentos evitados.

Uma proposta complexa e que considera um valor a ser remunerado ao produtor, bastante elevado, variando de 45 a 75 dólares por hectare, de acordo com a produtividade do solo. Esse valor tem como referência os lucros obtidos pelo maior custo de oportunidade da terra: a produção de soja.

Deixando as polêmicas econômicas metodológicas à parte, para que os economistas se debrucem posteriormente sobre elas, o que mais preocupa é a idéia por trás dos procedimentos técnicos.

Ao invés de se remunerar o detentor de áreas ocupadas pelo ecossistema florestal, pelo serviço prestado para produção e purificação de água e ar, manutenção da diversidade biológica e do equilíbrio climático (somente para citar alguns serviços ambientais de elevado valor), optou-se por remunerar o não uso agropecuário.

No final das contas foi o plantio de soja, a maior ameaça ao ecossistema florestal, que foi usado como referencia de cálculo para o pagamento por um serviço ambiental a ser prestado pelo próprio ecossistema florestal.

Ou seja, sob a ótica do custo de oportunidade de abrir mão em ganhar dinheiro com a soja, demonstrou-se o quanto o agronegócio é mais valioso que a floresta.

Uma oportunidade perdida. A saída, não há dúvida, esta na ampliação do valor da floresta com a inclusão dos serviços ambientais na tecnologia do manejo florestal de uso múltiplo.

* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).


Leia também, do mesmo autor:
A Amazônia e os três hectares da fome

Três perguntas sobre "racismo ambiental"

por Mônica Pinto, AmbienteBrasil, 28/11/2007

No dia 20 passado, em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Superintendência de Recursos Hídricos (SRH) do Estado da Bahia instituiu a Assessoria de Assuntos para Povos e Comunidades Tradicionais. Oficialmente, o novo órgão vai “trabalhar com a Justiça Ambiental pelas Águas, combatendo o racismo ambiental dentro da gestão de recursos hídricos do Governo Jaques Wagner”.

“O Estado sempre promoveu uma política econômica que não respeita memória cultural, material e imaterial dos povos e comunidades tradicionais, que sofrem com os impactos ambientais e o preconceito etno-racial, sem verem seu direito assegurado de ter um meio ambiente ecologicamente equilibrado, considerado um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, como determina a Constituição Brasileira”, diz o novo assessor, Diosmar Filho.

AmbienteBrasil fez a ele três perguntas, cujas respostas estão a seguir.

AmbienteBrasil - O que é o “racismo ambiental dentro da gestão de recursos hídricos"? De que formas ele se manifesta?

Diosmar Filho - Antes de entrar na gestão de recursos hídricos, gostaria de socializar o conceito de Racismo Ambiental que mais se enquadra a essa pergunta, publicado em 2002 pelo doutor Júlio de Sá Rocha, no livro Direito Ambiental do Trabalho: mudança de paradigma na tutela jurídica à saúde do trabalhador: “Estudos da Comissão por Justiça Racial da Igreja Cristã United Church of Christ’s Comission for Racial Justice, realizados em 1978, concluíram que a contaminação e exposição de determinada comunidade à poluição e impactos ambientais, bem como as políticas de tutela, são proporcionalmente diferenciadas. O diretor da pesquisa designou essa política de racismo ambiental, ou seja, diferenciação da aplicação da política ambiental por fatores de ordem racial”.

A partir desta reflexão, posso dizer que na política de proteção ou uso das águas, o Racismo Ambiental se manifesta após as ações de Racismo institucionais, que são praticadas na estrutura interna dos órgãos públicos, através dos seus gestores, que determinam a política de acesso às águas deixando de olhar os povos e comunidades tradicionais como portadores de direito a esse patrimônio universal. Pois quando um gestor determina a abertura de uma comporta de barragem ou construção, deve ter não só como critério que essa ação gere desenvolvimento, mas pensar que nas margens desses rios historicamente vivem povos étnicos que perderão seu território. E irão parar onde, se seu ambiente foi ou será submerso?

Quando pensamos nas localizações de vivência dos povos negro e indígena, no meio rural ou urbano, há de se notar que tem separação no tratamento com relação às áreas onde vivem as minorias brancas ou amarelas, basta verificarmos como é feito o abastecimento de água e planejado o saneamento. Para tanto, temos que dar passos mais sustentáveis nas relações humanas para entender que água é essencial na qualidade de vida de todas e todos. O reflexo desta prática racista está nos conflitos que se estabeleceram nos últimos 50 anos na Bahia com a instalação de Barragens, Pólos Petroquímicos, Monoculturas (eucalipto, carcinicultura, soja) e outros grandes empreendimentos.

AB - Que instrumentos a Assessoria de Assuntos Para Povos e Comunidades Tradicionais usará para combater o Racismo Ambiental?

Diosmar - A partir do diálogo pela intersetorialidade interna e externa, a Assessoria trabalhará com dois instrumentos legais da Gestão de Recursos Hídricos do Estado da Bahia: a Lei da Política Estadual de Recursos Hídricos e Fundo Estadual de Recursos Hídricos. Destes, serão desenvolvidas as ações em consonância com a Diretoria Geral da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), que deu início em 2007 às ações para a Reparação Ambiental através das políticas interinstitucionais para os povos e comunidades tradicionais no Estado da Bahia.

Foi criado o Conselho das Cartas das Águas, espaço de controle social formado por representantes de povos e comunidades tradicionais após a realização dos Encontros pelas Águas. Em 2008, será realizado o I Seminário Estadual de Justiça Ambiental pelas Águas. Outro instrumento será a consolidação da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável para os Povos e Comunidades Tradicionais no Estado da Bahia; nas ações do GT do São Francisco e da Política da Bahia para os Quilombolas – GT Intersetorial.

O objetivo é que esses trabalhos e outros consolidem o Programa de Política Pública de Justiça Ambiental e a Justiça pelas Águas na Gestão dos Recursos Hídricos da Superintendência de Recursos Hídricos – SRH/SEMARH.

AB - Há outros tipos de Racismo Ambiental observados na Bahia? E no Brasil?

Diosmar - Na Bahia, existem uma série de práticas de Racismo Ambiental, a exemplo da implantação há 39 anos do Centro Industrial de Aratu (CIA) na Região Metropolitana de Salvador (RMS), que hoje é a principal arrecadação econômica por concentrar indústrias petroquímicas e que transformou a RMS no segundo pior IDH do Brasil. Lá não foi respeitado o Direito Ambiental dos Povos e Comunidades Tradicionais ribeirinhas, terreiros de candomblé, pescadores e marisqueiras e remanescentes quilombolas que vivem na Baía de Todos os Santos (BTS). Todos foram engolidos pelo processo de desenvolvimento que gerou sérios impactos de saúde publica, pelo teor de contaminação da BTS, com portos como o de Aratu, Dow Quimica e Mataripe e a siderúrgica Vale do Rio Doce.

Outros fatores são a carcinicultura em Salinas das Margaridas, na Baía do Iguape, fundo da BTS, que privatizou os manguezais e gera impactos sociais e ambientais para os quilombolas, pescadores e marisqueiras que estão perdendo os seus territórios que tornaram privados e contaminados.

Outro sério problema é no oeste da Bahia com a expansão da soja e o desmatamento do Cerrado para o carvão, que mata nascentes importantes do Rio São Francisco e gera refugiados indígenas, de fundo de pasto, quilombolas e ribeirinhos, que perdem o direito ao acesso à fauna, flora e recursos hídricos para a sua sobrevivência histórica.

No âmbito nacional, a expansão da soja, cana-de-açúcar e pecuária na migração de gaúchos, paranaenses para os Matos Grossos. Lá se pode ver o exemplo da comunidade de Sorriso, onde índios foram expulsos e os negros e nordestinos foram separados para não se misturar com a raça pura sulista, não tendo direito de participação na produção e seus territórios não são respeitados pelos coronéis da política.

O que fica evidente nestas ações é a participação e conveniência do poder público. Como falei antes, o racismo, antes de tudo institucional, está em quem elabora essas políticas que ferem os códigos e leis ambientais, transformando-se em Racismo Ambiental. Reverter isso é difícil depois que a memória material e imaterial dessas comunidades foi destruída e estes povos foram destinados a viver nos morros e periferias dos centros urbanos, para serem transformados em marginais e serem de novo violentados pelo poder público com as ações da justiça.

Assim, precisamos de gestores com consciência de diversidade, que entendam que o ambiente não é para uma minoria que concentrar riqueza e, sim, um patrimônio constitucional para a qualidade de vida de todos - negros, brancos, índios, amarelos etc.

Leia também:
SRH combate racismo ambiental nas águas

Reciclagem fantasma derruba Nokia no Guia de Eletrônicos Verdes

Greenpeace Brasil, 27/11/2007

Amsterdã, Holanda — Nova líder do ranking, que chega à sua 6a. edição, é a Sony Ericsson. Lista passa a incluir fabricantes de TVs e consoles de jogos.

Falar é fácil. Pôr a mão na massa e evitar o lixo eletrônico é que são elas. A Nokia e a Motorola que o digam. Em seus respectivos sites, dizem maravilhas sobre seus programas de reciclagens de aparelhos antigos, mas na hora H de recebê-los do consumidor a coisa não funciona tão bem assim. Foi o que constatamos em seis países e, por isso, as duas empresas perderam preciosos pontos na sexta edição do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace, lançado nesta terça-feira. Assim, a Nokia perdeu a liderança e caiu para nono lugar. Já a Motorola desceu do nono lugar para o décimo-quarto.

Na Argentina, por exemplo, a atendente de uma loja representante da loja deixou claro que o que está escrito no site da empresa e a prática são duas coisas bem diferentes. Confira:



A nova edição do Guia de Eletrônicos Verdes foi expandida para incluir fabricantes de TVs e consoles de jogos eletrônicos como Microsoft, Nintendo, Philips e Sharp. Essas empresas entram nos últimos lugares do ranking de performance ambiental, com a Nintendo sendo a primeira empresa a não marcar ponto algum dos 10 possíveis. Philips e Microsoft foram um pouco melhor, marcando 2 e 2,7 pontos, respectivamente.

Em 2006 foram vendidos 62,7 milhões de consoles de jogos eletrônicos em todo o mundo, um crescimento de 14,9% em relação ao ano anterior, tornando o setor um dos que mais crescem entre os produtos eletrônicos. A baixa pontuação dos fabricantes Nintendo e Microsoft releva que essas empresas ainda têm um longo caminho a percorrer para melhorar suas políticas e práticas ambientais.

Apesar do console Nintendo Wii ser mais eficiente em termos de consumo de energia que seus concorrentes Xbox (da Microsoft) e Playstation (da Sony), a Nintendo ficou muito mal na foto no Guia de Eletrônicos Verdes de Greenpeace. O uso de energia ainda não é avaliado pelo nosso ranking.

Muitas empresas já conseguiram melhorar bastante seus produtos e programas de reciclagem desde agosto de 2006, quando lançamos a primeira edição do Guia. Mas nenhuma delas ainda conseguiu sucesso em oferecer uma linha inteira de produtos livres das piores substâncias químicas tóxicas ou um programa de reciclagem simples, gratuito e global para assegurar que aparelhos que não mais funcionam não sejam jogados em lixões de países em desenvolvimento como China ou Índia, como é feito atualmente. E o lixo eletrônico vem se acumulando numa velocidade impressionante nos dias de hoje.

"É encorajador ver a Sharp e a Microsoft providenciando um calendário para a completa eliminação do PVC e dos retardantes de chamas de seus produtos", comentou Iza Kruszewska, da campanha de Tóxicos do Greenpeace Internacional.

A nova edição do guia revela mudanças importantes no topo do ranking. A Sony Ericsson ultrapassou a Nokia, enquanto que a Samsung e a Sony subiram bastante, ocupando agora as segunda e terceira posições.

Energia nuclear livre de emissões de CO2? Muito pelo contrário

Relatório do Greenpeace desmente a tese de que usinas atômicas são 'limpas' e contribuem no combate ao aquecimento global.
Greenpeace Brasil, 26/11/2007

Nos últimos tempos virou moda dizer que a solução para o aquecimento global é promover a geração de energia por usinas nucleares. Elas seriam, segundo seus defensores, livres de emissões de gases do efeito estufa e assim poderiam ajudar no combate às mudanças climáticas. Balela. As usinas atômicas podem até ser menos poluentes do que usinas a carvão mineral ou óleo combustível, mas Angra 3 por exemplo tem um índice de emissões indiretas de gás carbônico (CO2) cinco vezes mais alto do que a energia solar fotovoltáica (solar) e eólica.

Os dados constam do novo relatório do Greenpeace intitulado Cortina de Fumaça: emissões de CO2 e outros impactos da energia nuclear, que foi lançado nesta segunda-feira no Rio de Janeiro durante audiência pública do processo de licenciamento ambiental de Angra 3, realizada no Centro de Convenções Cidade Nova. Ativistas do Greenpeace protestaram no local, com latões amarelos simulando tonéis de lixo nuclear e uma faixa com a mensagem: "Angra 3 = lixo nuclear".

Para calcular as emissões de CO2 de Angra 3, o Greenpeace analisou o ciclo completo da energia nuclear no Brasil, considerando as seguintes etapas: extração de minério de urânio, fabricação de combustível nuclear, transporte de combustível, construção da infra-estrutura da usina, gerenciamento de rejeitos radioativos e descomissionamento da usina ao fim de sua vida útil.

De acordo com o estudo, as emissões de CO2 de Angra 3 comprovam a ineficácia da energia nuclear na mitigação das mudanças climáticas e mostram que investir nesta opção energética é um desvio caro e perigoso no combate ao aquecimento global. O documento “Cortina de Fumaça” também detalha os outros impactos ambientais da energia nuclear, especialmente o lixo radioativo, problema que continua sem solução em todo o mundo, e o histórico brasileiro de insegurança nuclear.

“Para reduzir sua participação nas mudanças climáticas, o Brasil deveria investir os mais de R$ 7 bilhões necessários para construir Angra 3 no combate aos 75% de emissões nacionais de gases do efeito estufa provenientes do desmatamento e do uso do solo”, afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace. “Aliás, R$ 7 bilhões é o valor inicialmente estimado por nove ONGs sociais e ambientais e um grupo de economistas na proposta para zerar o desmatamento da Amazônia até 2015” (conheça o site especial Desmatamento Zero, do Greenpeace Brasil).

Do ponto de vista energético, o engenheiro elétrico Ricardo Baitelo, autor do estudo “Cortina de Fumaça”, comenta que o Brasil dispõe de tecnologia e fartos recursos renováveis que inviabilizam a energia nuclear em todos os aspectos.

Para o especialista do Greenpeace, ao se considerar custos, subsídios, longos períodos de construção, riscos de acidentes e questões de segurança inerentes à geração nuclear, chega-se à conclusão de que existem alternativas mais baratas, eficientes e seguras para atender à crescente demanda por energia e proporcionar o desenvolvimento econômico e social do país.

“Com os mais de R$ 7 bilhões previstos para Angra 3, seria possível, por exemplo, construir um parque eólico com o dobro da capacidade da usina nuclear, que é de apenas 1350 MW, sem gerar lixo tóxico e sem o risco de acidentes. O governo Lula poderia ainda buscar inspiração no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que com apenas 12% do investimento de Angra 3 (ou R$ 850 milhões), economizou 5.124 MW, ou quatro vezes a capacidade da usina nuclear”, explica Baitelo.

“Passados mais de 30 anos da decisão do governo militar de construir a terceira usina nuclear brasileira, Angra 3 é um projeto marcado pelo atraso, pela ilegalidade, pelos altos riscos e por objetivos militares velados”, afirma Rebeca Lerer, do Greenpeace. Para ela, a situação se agravou com as declarações feitas recentemente pelo ministro da defesa, Nelson Jobim. Ao participar de evento sobre segurança nacional, Jobim deixou transparecer interesses militares por trás da recente retomada do Programa Nuclear Brasileiro (PNB). “Pode até soar absurdo, mas o uso militar da tecnologia nuclear parece ser uma explicação lógica para a decisão do governo Lula de ressuscitar o PNB, começando com o investimento bilionário de recursos públicos no dinossauro radioativo Angra 3”.

Além de expor os impactos ambientais de Angra 3, o Greenpeace está questionando a legalidade da usina na justiça com base em parecer escrito pelo jurista José Afonso da Silva. Confira os detalhes aqui.

Leia também no site do Greenpeace Brasil:
Proposta de [R]evolução Energética
Brasil está pronto para investir em energia eólica
IPCC adverte: chegou a hora de medidas enérgicas para salvar o clima

Angra 3 é discutida sob protestos

Estadão Online / AE - Agencia Estado

RIO - A procuradora da República em Angra dos Reis, Ariane Guebel de Alencar, abriu nesta segunda-feira (26/11) a audiência pública convocada para discutir o licenciamento ambiental de Angra 3 com um discurso crítico em relação à eventual construção da usina nuclear.

"O Ministério Público Federal (MPF) tem ações contra o licenciamento de Angra 3. Nossa participação na audiência não significa que o MPF tenha mudado seu posicionamento", disse Ariane. Segundo a procuradora, é necessário que "a Constituição seja cumprida, a democracia prevaleça e a discussão seja levada para o Congresso, que é o foro adequado para discutir a pertinência ou não de outra usina nuclear no Brasil?.

Convocada pelo Ibama, a audiência foi precedida por manifestações do Greenpeace, que se opõe à energia nuclear. Em defesa da Angra 3, cerca de 300 pessoas vestiam camisetas com o "sim" à expansão da central. Elas foram trazidas de Angra para o Rio em nove ônibus oferecidos pela Eletronuclear, que opera as usinas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Marina Silva diz que país combina inclusão social com proteção à biodiversidade

Por Renata Giraldi, da Folha Online, em Brasília

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) disse nesta terça-feira (27/11) que o governo brasileiro se esforça para executar políticas que associam o comprometimento com a proteção à biodiversidade e a inclusão social. Ela participou da cerimônia de divulgação do relatório de desenvolvimento humano, do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

"No Brasil ainda podemos fazer um processo que a nossa biodiversidade seja totalmente comprometida e ainda poderemos fazer a inclusão social", disse a ministra.

Marina Silva afirmou que vários problemas enfrentados atualmente são conseqüências de medidas adotadas no passado. Ela lembrou a política de apoio aos biocombustíveis.

Segundo ela, 70% do PIB (produto interno bruto) brasileiro depende da biodiversidade. "Temos recebido um conjunto de cobranças [em relação à emissão de gases]. Muitas vezes os países em desenvolvimento ficam em situação incômoda", disse a ministra.

De acordo com Marina Silva, o resultado do relatório deve ser interpretado como uma espécie de "divisor de águas" para as políticas ambientais e sociais do país.

De acordo com o relatório, o Brasil entrou pela primeira vez no grupo de países considerados de alto desenvolvimento humano.

O IDH (índice de desenvolvimento humano) brasileiro alcançou 0,800 - em uma escala de 0 a 1 -, o que é considerado alto. O índice divulgado hoje considera dados de 2005. No relatório do ano passado, o IDH do Brasil foi de 0,792.

Destinação dos resíduos nucleares deve anteceder Angra 3

Lixo nuclear brasileiro é depositado "provisoriamente" em piscinas há 30 anos.
Site Inovação Tecnológica
por Tatiana Fiuza, Gestão C&T
20/11/2007


Célio Berman, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), considera fundamental que o Brasil resolva a questão da destinação dos resíduos nucleares, antes que se comece a pensar na construção de Angra 3.

Riscos da energia nuclear

O pesquisador disse que o país deve levar em conta os riscos que a produção desse tipo de energia pode causar. Ele lembrou que o armazenamento dos resíduos, no Brasil, é feito de forma provisória. "Os resíduos são depositados em piscinas. É um provisório que está se tornando definitivo", avaliou.

Segundo Berman, 75% da energia consumida no país é oriunda de hidrelétricas. O pesquisador contou que esse tipo de produção de energia é considerada limpa, renovável e ainda é barata. Mas, em sua opinião, o governo brasileiro deve levar em conta que terá de pagar mais caro pela produção desse tipo de energia. "O Movimento de Atingidos por Barragens está aí para cobrar uma desapropriação decente das terras", lembrou.

Fontes alternativas de energia

A idéia, segundo pesquisador, é que o país comece a pensar em outras formas de se produzir energia. "Mas que não ingresse no mercado das commodities", alertou. O governo brasileiro vem atuando na promoção da produção de agroenergia, ou seja, a energia produzida a partir da agricultura.

Cana-de-açúcar

Berman contou que, na década de 1980, a produção de cana-de-açúcar era de 2,6 milhões de hectares. Em 2000, passou para 5 milhões de hectares e, no ano passado, chegou a 7 milhões. Dados apresentados pelo pesquisador mostram que 63% da produção de cana-de-açúcar do país está localizada no Estado de São Paulo.

"Nos últimos cinco anos houve ainda uma expansão da área agrícola destinada a produção de cana em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. Áreas que são sensíveis do ponto de vista ambiental, pois compreendem o Cerrado e o Pantanal", disse.

Trabalho escravo

Ele lembrou ainda que o Brasil não tem uma política séria voltada para a exterminação do trabalho escravo na produção da cana. Pesquisas realizadas por Berman no interior de São Paulo mostraram que o trabalhador que colhe a cana-de-açúcar é supervisionado para cortar de 10 a 12 toneladas de cana por dia.

Segundo ele, nem mesmo a mecanização da colheita pode resolver o problema. Isso porque, de acordo com o pesquisador, uma máquina retira do campo mais de 60 trabalhadores. "Além disso, um trabalho feito pela USP mostrou que os produtores de cana para aumentarem a velocidade de colheita da planta fazem a queima da ponta da palha, o que vai contra o meio ambiente."

Programa Selo Combustível Social

Outro problema apontado pelo pesquisador diz respeito ao Programa Selo Combustível Social. A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, destina um selo aos produtores que compram matéria-prima de pequenos agricultores. "O programa transforma o agricultor em mero produtor de grãos, além de não permitir que ele escolha os melhores compradores, pois os agricultores são obrigados a vender para um determinado produtor", salientou.

Segundo Berman, uma alternativa seria criar mecanismos para que os pequenos agricultores não sejam apenas vendedores de matérias-primas, mas sim, tenham o controle de toda a cadeia de produção de biodiesel. "O selo deveria promover a adequação dos produtores aos padrões da cadeia do pequeno agricultor e não legitimar uma forma de ação que é extremamente excludente", disse.

Aumento no número de canaviais pode gerar graves problemas ao meio ambiente

Duas pesquisas relacionam a queima da cana-de-açúcar a problemas respiratórios e quantificam as emissões de compostos de nitrogênio na atmosfera
Agência FAPESP - 30/10/2007
Por Murilo Alves Pereira


Da saúde humana ao meio ambiente, a queima da cana-de-açúcar realizada durante a colheita gera uma série de problemas. Duas pesquisas feitas no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, relacionaram a queima a problemas respiratórios e quantificaram as emissões de compostos de nitrogênio na atmosfera.

O químico Willian Cesar Paterlini, da Unesp, defendeu em sua tese de doutorado a influência das partículas emitidas pela queima da cana-de-açúcar no aumento dos casos de asma e hipertensão na cidade de Araraquara, região central do estado de São Paulo.

Segundo ele, ao mensurar as emissões das queimadas e sobrepô-las aos números de internações por problemas respiratórios, fornecidos pelo Ministério da Saúde, foi possível estimar uma relação de causa e efeito, principalmente no caso da hipertensão.

“Em nossas medições, quando houve picos nas emissões de partículas, três dias depois aumentavam também os números de internações por doenças respiratórias”, disse à Agência FAPESP durante o Congresso Brasileiro de Geoquímica, realizado na semana passada em Atibaia (SP).

A equipe da Unesp mediu as partículas no período de junho de 2003 a maio de 2004, durante a queima da cana, que ocorre no período seco, e, quando não ocorre a queima, durante a estação chuvosa. Foram considerados três tamanhos de partículas, sendo que as menores são as que mais causam problemas à saúde, devido à facilidade de entrar nas correntes respiratória e sanguínea.

Na comparação entre as épocas de queima (junho a outubro) e livre de queima (dezembro a abril) houve um aumento de 131% na quantidade das partículas mais finas no período de queima. A mesma comparação mostrou um aumento de 620% na concentração de potássio nas partículas. O potássio é utilizado por pesquisadores como indicador de que a partícula é originada na queima da cana.

“Nesses períodos também houve um aumento das internações nos hospitais dos casos de asma e hipertensão”, apontou Paterlini. Ele destacou o dia 21 de junho de 2003, quando a concentração das partículas na atmosfera chegou a 74,5 µg/m3 – a concentração máxima recomendada pela Organização Mundial da Saúde é de 10 µg/m3. “Três dias depois, as internações foram as mais altas de todo o período do estudo”, disse.

O trabalho pode servir de base para orientar as prefeituras em relação à saúde pública, defendeu o químico. Sabendo quando ocorrem os períodos de queima, seria possível prever o aumento de internação nos hospitais.

Meio ambiente

Outra pesquisa feita na Unesp procurou mostrar que o aumento no número de canaviais, devido aos biocombustíveis, pode gerar graves problemas ao meio ambiente. Além da avaliação da pressão sobre áreas florestais, a intenção da química Cristine Machado foi mensurar a formação e a emissão de compostos de nitrogênio geradas pelo plantio da cana.

“Sabemos que para produzir biocombustíveis é preciso gerar matéria-prima. Mas é preciso entender que a queima da cana-de-açúcar e o uso de fertilizantes no plantio podem influenciar o ambiente no entorno das plantações”, disse.

As medições realizadas no mesmo local da pesquisa de Paterlini, e durante o mesmo período, levantaram a concentração na atmosfera de monóxido de nitrogênio (NO), dióxido de nitrogênio (NO2) e amônia (NH3). Foi constatado um aumento da concentração de NO e NO2 na estação de seca e no período noturno (quando ocorrem as queimadas).

Foram feitas medidas próximas a queimadas controladas para certificar a fonte das emissões. Segundo Cristine, a cidade de Araraquara tem 40% de sua área tomada por plantações de cana-de-açúcar. “Se a pesquisa fosse feita em São Paulo, teríamos outras fontes de emissão.”

Em relação à amônia, não houve grande diferença de concentração ao longo do ano. A equipe estima que o uso de fertilizantes nitrogenados pode ter colaborado com as emissões na época em que não houve queima.

“O acúmulo dessas substâncias no solo pode interferir na fotossíntese das plantas e prejudicar a biodiversidade”, disse a pesquisadora. Os compostos de nitrogênio também podem alterar a acidez da água e aumentar a formação do ozônio, um forte oxidante.

Para Cristine, antes de apostar nos biocombustíveis, é preciso conhecer todos os aspectos de sua produção e pôr na balança os aspectos negativos da plantação de cana-de-açúcar.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pesquisa mostra porque alimento orgânico é melhor para a saúde

Alimento orgânico "é melhor" para saúde, indica pesquisa
da BBC Brasil, Folha Online - 30/10/2007

Alguns tipos de alimentos orgânicos são melhores para a saúde do que os convencionais, de acordo com os resultados preliminares de um estudo financiado pela União Européia.

A pesquisa da Newcastle University, na Grã-Bretanha, vem sendo conduzida há três anos e deve ser concluída em 2008.

O estudo indica que legumes e frutas orgânicos contêm até 40% mais antioxidantes do que seus equivalentes não-orgânicos.

O leite orgânico pode conter entre 50% e 80% mais antioxidantes (substâncias que, acredita-se, ajudam a combater câncer e problemas cardíacos) do que o leite normal.

Os resultados também sugerem que os orgânicos contêm menos ácidos graxos trans, considerados nocivos à saúde. Os pesquisadores admitiram, no entanto, que ainda não conseguem explicar as causas dessa diferença.

"Os primeiros resultados mostram variações significativas na quantidade de antioxidantes presentes em frutas e legumes orgânicos em comparação com variedades não-orgânicas", disse o responsável pelo estudo, Carlo Leifert.

"O projeto ainda está em andamento e, embora tenhamos alguns resultados encorajadores, ainda há muito trabalho a ser feito", acrescentou.

Nutrientes

Os resultados do estudo contrariam a opinião de especialistas que dizem que não há evidência de que o alimento orgânico seja melhor para a saúde.

Os cientistas analisaram frutas, legumes e rebanhos orgânicos e não-orgânicos cultivados ou criados lado a lado em vários pontos da Europa, inclusive em uma fazenda próxima à universidade.

Trigo, tomate, batata, repolho, cebola e alface orgânicos contêm entre 20 e 40% mais nutrientes do que seus equivalentes não-orgânicos, de acordo com a pesquisa.

Leifert diz que os especialistas estão agora tentando entender o que causa as diferenças entre o alimento orgânico e o convencional.

Ou seja, os pesquisadores querem saber o que, na agricultura orgânica, dá um conteúdo nutricional maior e menos substâncias indesejadas ao alimento.

O pesquisador afirma esperar que o estudo ajude os fazendeiros que optam pelos produtos orgânicos a melhorar a qualidade de seus alimentos. Os resultados finais devem ser publicados dentro de até 12 meses.

A FSA, a entidade britânica que oferece informações e aconselhamento sobre alimentos, diz que ainda não há evidências científicas de que os alimentos orgânicos sejam mais seguros ou contenham mais nutrientes do que os convencionais.

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Avenida passará por dentro de Parque Ecológico em Florianópolis

por Alexandre Montenegro

Ocorre nesta quinta-feira (29/11), às 15 h, na Câmara Municipal de Florianópolis, uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei Complementar nº 768 de 2006, que tem por objetivo o cancelamento da construção da avenida SCI-15.


Caso seja aprovada sua construção, a avenida SCI-15 vai atravessar o Parque Ecológico do bairro Córrego Grande, ligando a Avenida Ângelo Crema à Av. Prof. Henrique da Silva Fontes (Av. Beira Mar), conforme mostra a figura abaixo (clique na imagem para vê-la ampliada). A obra está prevista na Lei Complementar nº 001 de 1997 e representará um grande impacto ambiental sobre o horto florestal.


O IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), manifestou-se contrário ao referido Projeto de Lei em seu parecer nº 0089/2007, no qual considera que a SCI-15 "é de fundamental importância para estruturar o sistema viário para o local". O parecer sugere que "quando da execução do Projeto Final de Engenharia o mesmo deva ser discutido com a comunidade e com os órgãos ambientais para que se tenha a melhor forma de se fazer essa passagem sem prejudicar o meio ambiente".

Ora, quando da execução do Projeto Final há ainda algo que possa ser discutido?!? E quando o parecer supõe que há forma de que uma avenida parta um parque ecológico ao meio "sem prejudicar o meio ambiente", nota-se que o bom-senso foi deixado de lado em benefício da especulação imobiliária.

A FLORAM (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis), em seu parecer de nº 084/2007, manifestou-se favorável ao Projeto de Lei, informando que "a via projetada SCI-15 atinge e corta o Parque Ecológico do Córrego Grande, bem como várias edificações de médio e grande porte já existentes, edificadas e aprovadas pela PMF [Prefeitura Municipal de Florianópolis] antes da Lei Complementar no. 001/97".

É de fundamental importância a participação popular nesta audiência pública, pois tem sido intensa a pressão de empresários da indústria imobiliária dentro do núcleo gestor do Plano Diretor Participativo de Florianópolis para que esta obra seja realizada.

A Câmara Municipal de Florianópolis está localizada na Rua Anita Garibaldi nº35, no Centro, próximo à catedral.


Parque Ecológico do Córrego Grande
Fonte: site da FLORAM - Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis

O Parque Ecológico do Córrego Grande está localizado próximo ao campus principal da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, e possui 21,3 hectares.


Nele são realizadas atividades de recreação, lazer, educação ambiental, pesquisa e cultura. Em média, 500 pessoas visitam o parque diariamente, sendo que este número dobra nos finais de semanas e feriados.

Entre os atrativos que o Parque oferece estão:
1) Aulas de educação ambiental;
2) Viveiro e estufa de mudas nativas;
3) Trilhas interpretativas com acompanhamento de guias, inclusive uma para portadores de necessidade especial;
4) Dois lagos;
5) Parque infantil e quadra poliesportiva;
6) Palco para apresentações culturais;
7) Brinquedoteca e fraldário;
8) Placas de sinalização e identificação de cerca de 100 espécies de árvores;
9) Quiosques para orientação dos visitantes.

Informações: [48] 3234.6049

domingo, 25 de novembro de 2007

Painel solar portátil recarrega laptops e câmeras

Portal Terra, 25/11/2007

A empresa americana Brunton criou um sistema de painéis solares transportáveis para carregar dispositivos portáteis. O SolarRoll 14, o maior da linha, mede 30 cm por 144 cm. (...)

O SolarRoll pode ser enrolado e colocado em um tubo, para um fácil transporte, além de ser à prova d'água. O SolarRoll 14 é desenhado para recarregar aparelhos grandes, como laptops. Já o modelo 9, que mede 1 metro em sua maior medida, foi feito para câmeras digitais e celulares.

O SolarRoll 14 é vendido por US$ 479 através do site da empresa. O SolarRoll 9 custa US$ 349 e o modelo 4.5 - medindo 55 cm - custa US$ 199. Mais informações podem ser encontradas no site www.brunton.com.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sabores do cacau com consciência

No Equador, uma rede de produção e comércio solidário reúne 26 mil pessoas, tem gestão baseada em assembléias e conquista consumidores em muitos países. Experiência revela: é possível ser viável oferecendo, ao invés das "vantagens" mercantis, respeito aos direitos sociais e à natureza

Le Monde Diplomatique Brasil
por Carola Reintjes


Iniciativas de economia solidária e alternativa têm alcançado sucesso crescente em todo o mundo. Parte importante dos consumidores está deixando o hábito capitalista de buscar apenas o preço mais vantajoso e começa a se preocupar com a qualidade dos produtos e — novidade principal — com as condições sociais e ambientais em que são produzidos. Esta mudança cultural torna possíveis experiências como a interessantíssima MCCH, do Equador.

Original desde seu nome, a MCCH reúne as iniciais — em quéchua e espanhol — do princípio que rege a associação: Maquita Cushunchic, ou Comercializamos como Hermanos.... É uma grande organização guarda-chuva de comércio justo, comprometida com os valores e as práticas da Economia Solidária. Não é obra de um pequeno grupo: envolve 26 mil pessoas, produtores, consumidores e comerciantes de produtos que procedem de mais de 400 organizações en 21 províncias equatorianas. Agrupa 12 empresas comunitárias agrícolas e uma empresa comunitária de armazenagem, que presta serviços a cem organizações.

Nasceu de uma experiência de comercialização alternativa nos bairros do sul de Quito, com o objetivo principal de melhorar as relações de intercâmbio de produtos entre a cidade e o campo — tradicionalmente nas mãos de alguns monopólios. A MCCH foi fundada em 1985 com o único objetivo de abastecer as populações das favelas de Quito com produtos alimentícios mais baratos, procedentes de pequenos agricultores. Com o tempo, foram se desenvolvendo progressivamente muitas "lojas populares ou camponesas", pequenos comércios que oferecem produtos básicos de alimentação. A MCCH é célebre em várias partes do mundo por seu produto mais conhecido, o cacau, mas produz também alimentos ecológicos, como o açúcar da cana, a rapadura, e os fungos secos. Também oferece produtos artesanais, como malhas e objetos em madeira de balsa.

A rede orgulha-se de sua viabilidade econômica. E é gerida por meio de assembléias de produtores

Atualmente, o principal objetivo da MCCH é apoiar o fortalecimento das organizações associadas, através de ações comunitárias de comercialização e formação, segundo princípios de solidariedade, e com a vontade de transformar a sociedade equatoriana. Os camponeses trabalham em fazendas ecológicas, nas quais produzem para consumo próprio e para a exportação. A produção é diversificada, para diminuir a dependência: pimenta, coração de alcachofra, milho anão, batatas para chips, fibra de alpaca.

A MCCH obteve a viabilidade econômica. 100% do artesanato e 95% dos alimentos que produz são comercializados através de canais de comércio justo, assim como 6% do cacau. Do total de suas receitas, 15% vem de um setor inovador, o turismo local. Realizam trabalhos de incidência política através da associação de cacaueiros.

A participação democrática dos grupos de gestão realiza-se por meio das assembléias regionais e da assembléia geral, compostas por representantes de todos os grupos.

A MCCH tem como um de seus princípios fundamentais trabalhar sob critérios de produção ecológica ou, ao menos, de tecnologia amigável com o meio ambiente. Isso significa a ausência de agroquímicos prejudiciais. A certificação ecológica não se faz de forma parcial, para cada produto, mas para o conjunto de cada propriedade. Vigora o conceito de "bem integral", onde também os animais interagem com o ambiente, num processo produtivo ecológico. A maior parte do que se produz nas terras é o cacau ou a cana de açúcar, mas também os outros produtos destinados ao consumo são ecológicos.

Ao invés das pressões mercantis por preço baixo, o apoio dos consumidores conscientes

A MCCH é filiada à IFAT, a Associação Internacional de Comércio Justo, mas, mesmo antes de se associar, já trabalhava com os princípios da agricultura ecológica. Enrique Medina, o economista agrícola da organização, relata. "Nosso trabalho consiste mais em manter os valores e condutas que os produtores herdaram de sua cultura ancestral. Na gestão de seus cultivos, eles seguem naturalmente os critérios do comércio justo. Entretanto, correm o risco de ser invadidos por tecnologias introduzidas pelas grandes empresas, que fomentam o cultivo convencional. Ao oferecer alguma assistência agropecuária, o pessoal do MCCH ratifica os princípios originais da produção nativa. O que mais tem influído na conservação de suas formas produtivas é a motivação".

Medina explica que, além do orgulho por seus métodos conscientes de cultivo, os produtores têm se animado com a abertura crescente dos consumidores a estes princípios. "O que mais os motiva é saber que o produto cultivado sobre as mesmas premissas que vinham trabalhando historicamente tem valor no mercado. Desta maneira, as tradições culturais dos agricultores entram em sinergia com os critérios do consumo responsável que estão se difundindo pelo mundo".

Esta mudança de hábitos tem sido capaz de evitar a introdução das lógicas capitalistas no cultivo. O economista prossegue. "Diante de situações adversas, o pequeno agricultor encontra duas possibilidades para manter-se no modelo convencional: ou super-explorar a mão de obra, ou os recursos naturais. Muitos produtores, como não dispõem de capital de inversão, super-exploram a mão de obra familiar, as terras ou ambos, para chegar ao mercado".

Projeto: ser "opção não apenas para a classe média, mas para todos os consumidores"

As conseqüências são duras: "No Equador, está sendo rompida a fronteira agrícola da produção a 4 mil metros acima do nível do mar, onde antes só havia desertos e pastagens. Isto não é sustentável. O sistema econômico operante levou os camponeses a explorar a única coisa que têm: pouco terreno e mão de obra. Há outros fatores adversos, que também atacam drasticamente os produtores no Equador, como uma refoma agrária inadequada e uma má distribuição de terras. Esta dinâmica de sobre-exploração dos recursos naturais, que considera a agricultura e o terreno como simples mercadorias, vai encurralando o desenvolvimento das pessoas e da terra".

A MCCH não se limita a denunciar. Propõe saídas: "Estamos dando impulso a opções mais sustentáveis, mais dinâmicas, e vamos recuperando alternativas para não abusar desses espaços. Como organizações de comércio justo, temos que fazer a cadeia de comercialização mais eficiente. No momento que superarmos esta dificuldade e tivermos preços mais competitivos, veremos resultados. Seremos verdadeiramente uma grande opção, não somente para um cidadão de classe média-alta, mas também para todos os consumidores".

Os objetivos são ambiciosos. Enrique Medina explica. "Fazer a cadeia mais eficiente passa por incrementar volumes de produção e comercialização. Se continuarmos sendo marginais quanto ao nível de consumo, isso vai gerar problemas em todos os pontos da rede. Por outro lado, é importante continuar trabalhando na sensibilização. Quando o volume de compras e consumo for maior, estou completamente convencido de que a cadeia será mais eficiente. Nossa dinâmica poderá enfrentar o Golias dos valores mercantis. Queremos conquistar os consumidores gerando consciência".

Tradução: Gabriela Leite Martins
gabileite89@gmail.com

Mais

Carola Reintjes é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

Viagem a uma empresa utópica
No sul da Espanha, uma companhia que não visa lucro, pratica o comércio justo e paga salários iguais a todos os sócios e funcionários atua há vinte anos — e está em perfeita saúde econômica

A revolução das segundas-feiras
Acaba de se realizar no Uruguai a VI Feira Nacional da Economia Solidária. Evento irrelevante e experiências micro? Respondo: micro-revolucionário, mas mega-transformador. Gosto dos heróis invisíveis

Outra economia, além do capital
Espalham-se pelo planeta empreendimentos que organizam produção, comércio e finanças segundo valores e lógicas de solidariedade

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Heróis da Terra

Agência FAPESP, 07/11/2007

“A Terra não tem voz – então, alguém deve falar por ela.” Com esse ponto de partida, a revista norte-americana Time decidiu homenagear o que chamou de “heróis do meio ambiente”, homens e mulheres de diversos países que, por suas atuações em diversas áreas, têm destacado e colocado em discussão os principais problemas ambientais vividos pelo planeta.

Um dos escolhidos é brasileiro. Trata-se de José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Engenharia da Universidade de São Paulo e presidente da Comissão Especial de Bionergia de São Paulo. Na relação da revista, o físico está na categoria “Líderes e visionários”, ao lado de Al Gore, Mikhail Gorbachev, Angela Merkel, Robert Redford e do príncipe Charles.

No total, divididos em quatro categorias, estão 43 nomes, como Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química de 1995, James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, o glaciólogo indiano D.P. Dobhal, o bilionário inglês Richard Branson e a equipe de projetistas do automóvel híbrido Prius, da Toyota.

“Nós os chamamos de heróis, mas eles poderiam também ser chamados de porta-vozes do planeta, um planeta que está ‘com a corda no pescoço’. Por suas palavras e por suas ações, esses heróis ambientais saíram do silêncio e deram voz à Terra. E compete a nós ouvir e nos unirmos a eles”, destacou a Time na apresentação do especial.

No texto sobre Goldemberg, a revista destaca que, na década de 1970, a idéia de usar plantas no lugar de petróleo para a produção de energia era polêmica, para dizer o mínimo. Mas então, dois anos após a crise do petróleo de 1973, entrou em cena o Proálcool.

Três anos depois, Goldemberg foi um dos autores de um hoje histórico artigo publicado na Science, no qual destacava a importância da descoberta brasileira: que era tanto possível como rentável empregar uma fonte de energia limpa, derivada da cana-de-açúcar.

“Aquele artigo foi minha contribuição, ao apontar que a cana não era somente um produto, mas também um combustível – e não um combustível fóssil”, disse Goldemberg à Time.

A revista destaca não apenas o pioneirismo, mas também a liderança brasileira no desenvolvimento e na produção de biocombustíveis. “Dois terços de todos os novos automóveis fabricados no país são modelos flex, que rodam em qualquer coisa de gás convencional ao etanol puro”, disseram os editores. A publicação ressaltou que o etanol ajudou o Brasil a reduzir em 46,6 milhões de toneladas (ou 20%) as suas emissões anuais de carbono.

Para ler a edição especial da Time, clique aqui.

Para ler entrevista de José Goldemberg à Agência FAPESP, na qual o cientista destaca o etanol da cana-de-açúcar como um dos modelos mais viáveis de sustentabilidade energética, clique aqui.

Recursos hídricos gerenciados

Agência FAPESP, 13/11/2007
Por Thiago Romero


Seis pesquisadores brasileiros ganharam o Prêmio OMM Jovem Cientista – Ano 2006, concedido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Walter Collischonn, Cristopher Souza, Gabriela Priante, Glauco Kimura, Rutnéia Tassi e Sidnei Gusmão receberam a distinção do secretário geral da entidade, Michel Jarraud, em cerimônia no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), no fim de outubro, na capital paulista.

A homenagem se deve ao artigo Em busca do hidrograma ecológico, em que analisam uma metodologia inovadora, proposta em 2003 pelo pesquisador norte-americano Brian Richter – hoje diretor da The Nature Conservancy –, para o gerenciamento dos recursos hídricos de modo a manter a integridade dos ecossistemas e, ao mesmo tempo, atender aos usos humanos.

Collischonn, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ilustra a importância da metodologia com o caso de um rio cercado por áreas agrícolas cujas águas são usadas para irrigação.

Como boa parte dessa água não retorna ao rio, devido à evaporação ou absorção pela própria plantação, é preciso cuidar da quantidade de água que deve permanecer no leito com base em cálculos de vazão – litros por unidade de tempo – e no volume extraído.

“A quantidade de água que passa nos rios por dia é limitada, principalmente nos períodos de estiagem. Por conta disso, muitos rios secaram em todo o mundo no decorrer da história devido à falta de manejo adequado”, disse Collischonn, à Agência FAPESP.

“Como ainda são poucas as iniciativas no Brasil que levam em conta os regimes hidrológicos e a variabilidade dos ecossistemas, ganhar esse prêmio contribui para o aumento da visibilidade desse tipo de metodologia e da necessidade de sua aplicação em larga escala”, destacou.

O artigo, publicado originalmente nos anais do 16º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, faz uma análise da adaptação da metodologia, denominada Manejo Ecologicamente Sustentável da Água (Mesa), em bacias hidrográficas da América do Sul.

Para isso a metodologia, que vem sendo utilizada em rios nos Estados Unidos, foi organizada em seis passos, entre eles a estimativa das necessidades de vazão para conservar ecossistemas naturais associados ao rio, a estimativa das necessidades de vazão atuais e futuras para uso humano, a avaliação dos conflitos entre usos humanos e necessidades dos ecossistemas e a realização de experimentos práticos de manejo de água.

Limites críticos

O estudo considera ainda que as tradicionais metodologias baseadas no conceito de vazão ecológica, ou seja, a vazão que deve permanecer no rio após todas as retiradas de água para uso humano, concentram-se apenas na vazão mínima e não consideram outros aspectos do regime hidrológico, como os períodos de estiagens e de cheias.

“Com a metodologia de Richter, a partir da análise estatística da vazão, temos uma estimativa do volume de água que cada usuário pode retirar do rio e quais são os limites críticos, de modo que a somatória de todos os usuários não exceda a vazão de referência e sempre permaneça uma quantidade mínima de água para proteger a sustentabilidade ecológica”, explicou Collischonn.

O pesquisador explica que os organismos de proteção ambiental estaduais e federais, como a Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (FEPAM) e a Agência Nacional de Águas (ANA), são responsáveis pela determinação da vazão mínima dos rios brasileiros, sendo os critérios diferentes em cada região.

Além dos Estados Unidos, outros países adotam metodologias semelhantes, como a Austrália e a África do Sul. Para adotar esse tipo de iniciativa no Brasil, o artigo traça uma série de desafios a serem superados, como os relacionados ao contexto tradicionalmente dominado pelo uso da água para geração de energia elétrica no país.

“O maior desafio, no entanto, é a falta de pesquisas interdisciplinares sobre recursos hídricos e ecologia que possam orientar os tomadores de decisão. Ainda temos poucas informações científicas sobre como os regimes hidrológicos estão conectados com o meio biológico dos animais e plantas”, apontou Collischonn.

O Prêmio OMM Jovem Cientista, que consiste em um certificado e US$ 1 mil em dinheiro, foi criado em 1970 pelo Conselho Executivo da OMM. O objetivo é encorajar jovens pesquisadores, de preferência oriundos de países em desenvolvimento, a publicar artigos nas áreas de meteorologia e hidrologia. Desde sua criação, 40 prêmios foram concedidos a vencedores de 28 diferentes países.

Para ler o artigo Em busca do hidrograma ecológico, clique aqui

Rádio portátil movido a energia limpa é vendido no Brasil

Fonte: Portal Terra, 12/11/2007

O Sun Radio, um rádio que utiliza energia solar ou de torque para funcionar começou a ser vendido no Brasil. Apenas cinco minutos de maniveladas garantem uma hora de energia para o aparelho.

O rádio sintoniza tanto AM quanto FM e é ecológico, utilizando apenas energia limpa. Quando deixado no sol, o rádio absorve a energia através de um painel solar.

O Sun Radio é vendido por R$ 99,99 no site http://www.timevision.com.br/

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Prêmio ODM inspira concurso internacional

Premiação ligada a conselho da ONU, parecida com ação do Brasil, avalia 19 projetos e destaca 4 que ajudam os Objetivos do Milênio
Fonte: PNUD Brasil, por Sarah Fernandes, da PrimaPagina, 12/11/2007
Foto: Agência Brasil/José Cruz

Uma premiação internacional inspirada no Prêmio ODM Brasil — que destaca as melhores práticas ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — escolheu quatro projetos vencedores — dois da África, um da Argentina e um da Coréia do Sul. Cada ganhador recebeu US$ 6 mil.

O concurso, chamado Prêmio Internacional Objetivos do Milênio, é uma iniciativa do ECOSOC (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas) e da Associação Internacional de Conselhos Econômicos e Sociais e Instituições Similares e é apoiado pelo PNUD. Os conselhos ligados à associação — em sua maioria entidades nacionais — inscreveram 19 iniciativas de 14 países.

Os membros o ECOSOC e da associação formaram um júri para avaliar os projetos, analisando como as iniciativas ajudavam a avançar nos Objetivos do Milênio. Os jurados observaram, entre outras coisas, os efeitos econômicos e sociais para populações pobres. “O processo de seleção foi parecido com o do prêmio brasileiro”, afirma Ângela Cotta, secretaria-adjunta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável por articular conselhos de outros países.

Uma iniciativa da organização não-governamental Fundação Hernandiana, da Argentina, foi premiada por suas ações ligadas à saúde e à conscientização ambiental. A instituição internacional Good Neighbors recebeu o prêmio por projetos de apoio à infância e combate à pobreza na Coréia do Sul.

Os outros dois vencedores foram conselhos de desenvolvimento econômico e social de Mali e Costa do Marfim, na África. Eles foram premiados por implantar programas em defesa de produtores de algodão e atividades educacionais para crianças, respectivamente.

O dinheiro distribuído aos vencedores foi doado por duas patrocinadoras: a petrolífera francesa Total e a empresa italiana de tecnologia Formit. Os ganhadores também receberam uma estatueta e o reconhecimento público.

O Brasil inscreveu dois projetos. Um deles, chamado Semeando Educação e Saúde na Agricultura Familiar, é desenvolvido pela prefeitura de Três Passos, no Rio Grande do Sul. Oferece aos alunos de 7ª e 8ª séries de cinco escolas públicas aulas sobre técnicas de agropecuária relacionadas à bovinocultura, horticultura, fruticultura e agroecologia. A LBV (Legião da Boa Vontade) inscreveu as Feiras de Inovações Sociedade Solidária — em que empresas, governos e associações da sociedade civil realizam palestras, oficinas e apresentações culturais para divulgar seus projetos sociais. Os eventos aconteceram em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, em março deste ano.

A cerimônia de premiação, em 5 de novembro, em Brasília, contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (veja foto). Ele lançou, em 2004, o prêmio brasileiro dos Objetivos do Milênio. O concurso internacional foi lançado em novembro do ano passado e a expectativa é que seja realizada uma segunda edição, com mais participantes.

Governo Requião coleciona denúncias sem respostas

Investigações não andam ou não têm resultados
Portal Bem Paraná, 28/10/2007
por Juliana Sartori


O governador Roberto Requião tem no discurso de combate implacável à corrupção na administração pública uma das marcas de sua trajetória política. Mas, quando o assunto são as denúncias de desvio de recursos ou irregularidades contra sua própria gestão, a prática é outra. Boa parte das acusações ficam sem resposta, são abafadas, e as investigações não andam ou não têm resultado prático.

A lista inclui denúncias vindas de dentro do próprio governo, onde em muitos casos o resultado tem sido o afastamento do denunciante. Os mais recentes exemplos envolvem órgãos como as Centrais de Abastecimento do Paraná S.A. (Ceasa) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

No início da semana, a imprensa registrou que a diretora Administrativo-Financeira da Ceasa, Sandra Turra, teria pedido demissão por não ter conseguido implantar as mudanças para moralizar o órgão. Em 2005, o procurador do Estado, Luiz Henrique Bona Turra, também foi demitido pelo governador Requião, seis meses após denunciar o suposto superfaturamento nas compras do programa Leite das Crianças e outras irregularidades, como problemas em contratos da Copel, e a falta de licitações para a concessão de linhas de transporte rodoviário.

O IAP foi manchete nos jornais também nessa semana porque a ex-diretora do Instituto em Ponta Grossa, Elma Romanó, foi acusada de participar de esquema de autorizações irregulares para corte de araucária na região. No entanto, também foi noticiado que a própria diretora acusada foi, na realidade, quem fez a denúncia sobre os cortes ilegais no Ministério Público, em junho desse ano. O advogado de Elma Romanó, Dálio Zippin Filho, declarou que o governo Requião estaria se especializando em “degolar funcionários que apontam os podres da administração estadual”.

CPI — Mas a lista de casos mal explicados no governo Requião, em que as investigações não avançaram ou as denúncias foram abafadas é longa, e inclui também a Sanepar, Secretaria do Trabalho e Porto de Paranaguá. A má vontade do Executivo em dar explicações quando é investigado levou a bancada de oposição, liderada pelo deputado Valdir Rossoni (PSDB), a propor a instalação da CPI da Corrupção na Assembléia Legisltiva, no último dia 16. “A intenção é juntar todas as denúncias e utilizar essa ferramenta para dar as respostas para a sociedade”, explica o deputado Marcelo Rangel (PPS), autor da proposta da criação da CEI da Publicidade, que terminou sem resultado por ação da bancada governista.

Segundo Rangel, o governo Requião, quando confrontado, em vez de se explicar inicia ataques àqueles que cobram investigações. “Quando há denúncia, em vez de mostrar transparência, o governo se recusa a passar informações. Nós somos obrigados a pedir os requerimentos na Justiça”, explica.

Além disso, o deputado disse que a “máquina do governo” existente na Assembléia trabalha diariamente para impedir qualquer tipo de trabalho de investigação. “Acho que quem não deve não teme, por isso nossa desconfiança só aumenta”, diz.

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Sindicato denuncia conspiração contra diretora

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Concurso Catarinense de Monografias em Energias Renováveis e Eficiência Energética

Fonte: Diário Catarinense
Coluna Informe Econômico - Estela Benetti, 08/11/2007


O Instituto Ideal, voltado a energias renováveis, realizará, a partir do ano que vem, o Concurso Catarinense de Monografias em Energias Renováveis e Eficiência Energética para premiar os melhores trabalhos desenvolvidos no Estado por estudantes de graduação e pós-graduação.

O presidente do Ideal, Mauro Passos, informa que a comissão organizadora é integrada pela UFSC, Cefet e Unisul e o concurso já tem apoio institucional da Eletrosul, Grupo RBS, Tractebel e Weg. A premiação será em dinheiro.

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Nota do blog:

Segundo a assessora de Imprensa do Instituto Ideal, Alessandra Mathyas, o objetivo é premiar os melhores trabalhos produzidos nas universidades e centros de pesquisa sediados em Santa Catarina, na área de incentivo à promoção do uso de energias oriundas de fontes renováveis – solar, eólica, biomassa, biocombustíveis, geotérmica, do hidrogênio, PCHs, ondas e marés.

Além da premiação em dinheiro, este concurso vai publicar em revista técnica reconhecida os estudos destacados pela comissão julgadora, que vai reunir os melhores profissionais e pesquisadores em energias renováveis de Santa Catarina.

Para informações sobre o
1o Concurso Catarinense de Monografias em Energias Renováveis e Eficiência Energética:

IDEAL - Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina
Rua Lauro Linhares, 2123, sala 503A - Trindade - Florianópolis - SC
Fones: 48 9973-5101 / 48 3234-1757
info@institutoideal.org
www.institutoideal.org

Motos movidas a eletricidade

Fonte: Diário Catarinense
Coluna Informe Econômico - Estela Benetti, 06/11/2007

As motos elétricas apresentam-se como opção ecológica para os centros urbanos. Na foto, o presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Renováveis na América Latina (Ideal), Mauro Passos, testa modelo que foi doado ao Ideal pela indústria Motor-Z, de SP. Até o fim do ano, a moto do instituto ficará em Brasília, para ser apresentada ao presidente Lula e para demonstrações no Congresso.

A moto elétrica atinge até 40 quilômetros por hora, tem autonomia de 50 quilômetros, não emite ruído e poluição.

Foto: James Tavares


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Informações técnicas
Fonte: Motor-Z

Modelo: v500
Veículo de Propulsão Elétrica
Motor: Elétrico de Corrente Contínua
Potência: 500 W
Torque: 450 rpm 7 Nm
Transmissão: Motor diretamente na roda traseira
Autonomia: 40 km
Recarregador: 110~220 Vac x 48Vdc
Tempo de recarga: Partindo de Bateria a 4% - 8 horas
Velocidade máxima: 35 km/h
Capacidade máxima: 90 kg
Partida: Sem assistência - Chaveamento Liga/Desliga
Bateria: 48Vdc x 20AH - Tipo Selada - Chumbo / Solução Ácida
Peso bruto do veículo: 75 kg
Óleos lubrificantes: Isento - não aplicável

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Clique aqui para assistir a vídeos com motos elétricas de duas empresas brasileiras.

Leia também duas postagens anteriores do blog:
Motocicleta é movida inteiramente por energia solar
Brammo - Evolução da espécie

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Em Portugal, micro-produtores recebem a partir de fevereiro 52 centavos de euro a mais do que o consumidor paga à EDP

Fonte: Agroportal, Portugal, 02.11.2007
Com alterações para o português do Brasil por Alexandre Montenegro


Quem produz em casa mais energia renovável do que consome poderá vender o excedente à rede pública, a partir de Fevereiro, por 52 centavos de euro a mais do que o consumidor paga à EDP - Energias de Portugal, segundo um decreto publicado hoje.

O regime jurídico da produção de eletricidade através de unidades de micro-geração foi publicado hoje no Diário da República de Portugal (decreto-lei 363/2007), estabelecendo um regime de remuneração bonificado para as fontes renováveis de energia que vão ser pagas a uma tarifa de referência de 650 euros por megawatt-hora.

Atualmente a EDP cobra aos consumidores cerca de 13 centavos de euro por quilowatt-hora, mas vai pagar 65 centavos de euro por quilowatt-hora a quem injeta na rede pública excedentes de produção de energias renováveis

Mas esta tarifa, segundo o decreto, é aplicada no ano da instalação e nos cinco anos seguintes, não se sabendo ainda qual a tarifa a pagar a partir de 2013, o que pode trazer alguma insegurança em termos de retorno do investimento a quem pretende agora gastar elevadas somas na compra de um gerador que use a energia solar ou outra fonte de energia renovável.

O decreto cria também um regime simplificado de faturação, evitando a emissão de faturas e acertos de IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) pelos particulares.

O micro-produtor recebe ou paga (no caso de o que produz ser insuficiente para o seu consumo) através de uma única transação, pelo valor líquido dos recebimentos relativos à eletricidade produzida e dos pagamentos relativos à eletricidade consumida.

Para injetar energia na rede o produtor tem de realizar um contrato de compra de eletricidade em baixa tensão e registrar o acesso a esta atividade de micro-produção no Sistema de Registro da Micro-produção (SRM), uma plataforma eletrônica de interação com os produtores que registra todo o seu relacionamento com a Administração.

O decreto simplifica o regime de licenciamento, substituindo-o por um regime de simples registro, sendo o certificado de exploração emitido pela Direção-geral de Energia e Geologia - que vai criar e gerir o SRM - depois de efetuada uma inspeção.

O diploma, hoje publicado, entrará em vigor dentro de 90 dias.